Câmeras de segurança no CE confundem pessoas com sacos de lixo
Serviço no Ceará é prestado pela empresa IPQ Tecnologia, cuja contratação tem sido alvo de questionamentos no Tribunal de Contas do Estado
Os sistemas de videomonitoramento contratados pelo Governo do Ceará por 1,4 bilhão de reais, junto à empresa IPQ Tecnologia, têm registrado falhas de identificação de suspeitos, conforme relatórios obtidos por O Antagonista.
Segundo registros da Secretaria de Segurança Pública obtidos por este portal, algumas pessoas foram confundidas com sacos de lixo e até com objetos. Em um desses casos, a ferramenta indicou precisão de 86,61%, apesar do gritante erro de classificação.
Como mostramos, a IPQ Tecnologia tem diversos contratos com o Estado para fornecer videomonitoramento e computação em nuvem. Somados, esses contratos preveem o uso de aproximadamente 2,5 mil câmeras.
Desse total, apenas 100 possuem reconhecimento facial e nenhuma utiliza inteligência artificial, segundo as especificações do sistema, conforme apurou este portal.
Pessoas de costas, vultos, volumes indefinidos e objetos também aparecem entre os alvos apontados pela ferramenta. Os chamados falsos positivos podem levar ao deslocamento de viaturas e equipes policiais para locais sem ocorrência confirmada, com consumo de tempo, combustível e efetivo. Há ainda o risco de abordagens baseadas em identificação incorreta.
Como mostramos em novembro do ano passado, o Ministério Público do Ceará instaurou procedimento extrajudicial para apurar suspeitas de irregularidades em procedimentos licitatórios promovidos pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) que beneficiaram a IPQ Tecnologia.
Essa empresa tem como sócio-proprietário Antônio Galvão Soares, que doou 30 mil reais para a campanha do atual governador do Ceará Elmano de Freitas (PT) em 2022. Além disso, a IPQ está no epicentro de um procedimento administrativo instaurado pela Procuradoria-Geral do Estado do Ceará por supostas práticas anticoncorrenciais em pregões eletrônicos no âmbito da Etice.
Já no Rio Grande do Sul, a mesma empresa venceu no final do ano passado uma licitação com valor 20% inferior ao do Ceará. Mesmo assim, o Ministério Público foi acionado e os órgãos de controle recomendaram a suspensão do contrato por suspeitas de superfaturamenot até a conclusão das apurações. O acordo entre o governo do Rio Grande do Sul e a empresa foi de 71 milhões de reais.
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