Câmara autoriza suplente de Zambelli a fazer mudanças em gabinete da deputada
O Missionário José Olímpio (PL-SP) está usando o gabinete de Zambelli, que tirou licença de 127 dias e encontra-se presa na Itália
A cúpula da Câmara dos Deputados autorizou o suplente da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), Missionário José Olímpio (PL-SP), a fazer mudanças na equipe no âmbito do gabinete parlamentar da titular, que está sendo usado por ele. A decisão foi publicada no Diário Oficial da Casa na terça-feira, 9.
“A MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, no uso de suas atribuições regimentais, resolve autorizar, em caráter excepcional, que o Deputado Missionário José Olímpio promova movimentações de pessoal no âmbito do gabinete parlamentar da titular, à vista da necessidade de reestruturação de equipe de apoio indispensável ao adequado desempenho das funções legislativas, representativas e fiscalizatórias constitucionalmente garantidas aos membros da Câmara”, diz o ato.
Zambelli tirou licença de 127 dias, sendo sete para tratamento de saúde e 120 para interesse particular. O prazo vai de 29 de maio a 2 de outubro.
Ela está presa na Itália desde 29 de julho. Ao ser detida, ela encontrava-se foragida no país europeu, após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
Por causa da condenação também, ela enfrenta uma representação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que pode culminar na perda do mandato de deputada.
Em depoimento à comissão no âmbito do processo nesta quarta, o hacker Walter Delgatti Neto disse que Zambelli “exerceu comando direto sobre os crimes“ de invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserção de documentos falsos. Delgatti também foi condenado no caso.
O relator do processo na CCJ, Diego Garcia (Republicanos-PR), quis saber, na avaliação de Delgatti, qual foi o papel efetivo da deputada no caso e se ela apenas apoiou moralmente a prática dos crimes, incentivou indiretamente ou exerceu comando direto sobre eles.
Respondendo a um questionamento do parlamentar ainda, ele disse que apenas invadiu os sistemas do CNJ após pedido da congressista.
“Ela queria que eu conseguisse comprovar de alguma forma que o sistema era violável. No caso, ela pediu que eu invadisse ou o TSE, ou o CNJ, ou o STF. Que eu conseguisse comprovar que o sistema era violável, pois ela queria desacreditar o discurso, que à época havia, sobre a segurança do sistema de Justiça e do TSE do Brasil”, detalhou.
Segundo ele, sem esse pedido, não teria motivo para invadir os sistemas do CNJ e não tinha interesse nisso.
“No dia em ela pediu que eu invadisse [algum sistema relacionado ao sistema de Justiça], ela me disse assim: ‘se caso você for pego ou processado, você pode falar que quem mandou fazer isso fui eu, você pode falar, que eu assumo isso’. Ela me deu essa garantia. Ela está me ouvindo, ela sabe disso. Ela sabe que ela olhou em meus olhos e me disse ‘você pode falar que fui eu que mandei, que eu responderei por isso’. Quando ela pediu que eu invadisse“, pontuou Delgatti.
O choro de Zambelli
Zambelli também foi ouvida no processo na CCJ, por videochamada, nesta quarta. Ela chorou enquanto a colega Bia Kicis (PL-DF) dizia que a direita não abandonou a deputada presa no complexo penitenciário de Ribibbia, nos arredores de Roma.
“Se você estivesse nos Estados Unidos, certamente você não seria deportada, porque lá eles estão acompanhando muito bem o que tá acontecendo aqui. Então queira Deus que o governo italiano também faça justiça, porque deportar uma pessoa que é condenada por perseguição política é uma maldade, viola os direitos humanos”, disse Bia Kicis.
“A gente espera, Carla, que você receba a justiça e não toda essa perseguição que você está sofrendo. A gente espera que você fique bem, que você fique com saúde para suportar tudo que você está suportando, que você continue sendo essa mulher de fé, que você acredite, que você saiba que quando você reza e nós estamos rezando, estamos em oração aqui por você também. Ninguém aqui te esqueceu, Carla, ninguém”.
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