Caiado questiona anúncio de Lula sobre canetas emagrecedoras: “Falta até dipirona”
Governador questiona capacidade do SUS de oferecer os medicamentos e cita experiência de Goiás no tratamento da obesidade
O ex-governador de Goiás e candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD), questionou nesta sexta-feira, 18, a viabilidade do anúncio do presidente Lula (PT) de oferecer canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em publicação no X, Caiado disse que faltam itens básicos na rede pública, como fitas para testes de diabetes e dipirona, e cobrou planejamento para a implementação da medida.
Caiado ressaltou, porém, que considera a obesidade uma doença que exige tratamento adequado e citou programa adotado em Goiás para jovens e adolescentes.
“Lula anuncia caneta emagrecedora pelo SUS sem dizer quando vai entregar. Mas eu pergunto, se no SUS não tem nem fita pra teste de diabetes e falta até dipirona, quem dirá caneta emagrecedora?“, escreveu.
“Como governador, fomos pioneiros ao implementar esse programa que garante o tratamento gratuito da obesidade grave para jovens e adolescentes de 12 a 21 anos. Obesidade é doença e precisa de tratamento adequado. Saúde pública se faz com planejamento de verdade, não com promessa de ocasião“, acrescentou.
Lula anunciou o acesso gratuito às canetas emagrecedoras na quinta-feira, 17, durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG).
O petista defendeu que a caneta seja destinada a pacientes com obesidade e utilizada com indicação médica. O presidente também afirmou que o tratamento deve ser acompanhado de mudanças na alimentação e da prática de exercícios físicos.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade. Quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde”, afirmou.
Lula também defendeu que médicos orientem os pacientes sobre alimentação e atividade física durante o tratamento.
“Tem gente que, para emagrecer, é preciso reeducá-lo do ponto de vista alimentar, precisa voltar a aprender a comer coisa que faça bem para a saúde. Segundo, fazer um pouco de exercício”, disse.
O presidente ainda criticou a possibilidade de distribuição indiscriminada dos medicamentos e fez referência a parlamentares.
“Daqui a pouco vai ter deputado distribuindo canetinha para o povo. A caneta não é assim. Isso é irresponsabilidade porque a pessoa tem que saber se pode ou não tomar, se vai fazer bem para a saúde ou não”, declarou.
A promessa foi feita em um momento de disputa eleitoral acirrada. Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quinta, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno, com 47,2% contra 46,8%. A diferença, porém, está dentro da margem de erro de um ponto percentual, configurando empate técnico. O levantamento ouviu 5.018 eleitores entre 11 e 16 de setembro.
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