Caiado: Lula “estava nocauteado”, mas tarifaço deu “perspectiva de ser competitivo”
Pré-candidato marcou diferenças em relação ao bolsonarismo, mas evitou bater de frente
O governador de Goiás e pré-candidato da União Brasil à presidência da República, Ronaldo Caiado, declarou nesta segunda-feira, 18, que Lula “estava nocauteado”, mas “de repente foi esse assunto que fez com que ele voltasse a ter agora a perspectiva de ser competitivo”.
O assunto da pergunta respondida por ele na Globonews foi a articulação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos por medidas tomadas pelo governo de Donald Trump, que começaram com o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, passaram pela restrição de vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal e chegaram à aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, relator do caso da trama golpista em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu.
Tratado como representante da “direita tradicional”, Caiado marcou diferenças em relação ao bolsonarismo, mas evitou bater de frente com Eduardo e Jair Bolsonaro, focando suas críticas na conduta de Lula, que, segundo o governador, tem “interesse no acirramento” e em “alimentar esse processo até um grau de total irresponsabilidade”.
Eis a íntegra da resposta:
“Olha, esse preâmbulo seu é muito importante pra mim, até porque eu realmente comecei essa luta contra as esquerdas em 1986. O Lula criou o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e eu criei a UDR (União Democrática Ruralista), depois fui candidato a presidente da República (em 1989), sempre mantendo essa coerência de princípios e também de coragem de debater e de sempre respeitar o processo democrático e o resultado das urnas.
Agora, o que a gente tem que aprender é uma coisa só. Um presidente da República tem (em seu entorno no Congresso) 513 deputados federais e 81 senadores. Você já imaginou se cada deputado amanhã… um vai pra Ásia, outro vai pra Europa, o outro vai pros Estados Unidos, o outro vai pra Oceania… e, de repente, aí, cada deputado vai pautar um presidente da República?
É uma coisa que você há de convir que você também não pode superestimar a certa capacidade do parlamentar no momento em que enfrenta uma máquina de governo Itamaraty, e toda essa posição, se também do lado do presidente da República não tivesse interesse no acirramento.
Você sabe muito bem, o Lula perdeu as bandeiras todas. Ele estava nocauteado. De repente foi esse assunto que fez com que ele voltasse a ter agora a perspectiva de ser competitivo.
Então vamos ser realistas, nós que conhecemos bem a política e que convivemos com ela há muitos anos, tá certo? Vamos deixar claro que o que existe nesse processo todo aí é o Lula alimentar esse processo até um grau de total irresponsabilidade, para o que vai acontecer com o mercado brasileiro.
Eu não vejo nenhuma dificuldade de eu sentar. Eu posso não ser simpático ao Putin, mas eu posso sentar com ele, posso sentar com o presidente da China, qual é o problema? Tá certo? Não vejo nenhuma dificuldade nisso.
Não vejo essa importância de um deputado amanhã, no meu mandato, estar numa região do mundo contestando um governo, se aqui eu tenho argumentos pra mostrar minha capacidade de superar todas essas colocações que são feitas.”
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