Bolsonaro usa ditadura de Maduro para se defender
"O truque de acusar líderes da oposição democrática de tramar golpes não é algo novo", escreveu o ex-presidente
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por liderar trama golpista após as eleições de 2022, afirmou se tratar de um “truque” antigo “acusar de líderes da oposição democrática”.
Bolsonaro comparou a sua situação a dos líderes oposicionistas de ditaduras da Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia. Mas os regimes citados não são comparáveis à situação da República brasileira, por mais falhas que ela tenha.
Segundo o ex-presidente, o “mundo está atento” e a “liberdade irá triunfar mais uma vez”.
“- O mundo está atento ao que se passa no Brasil. O truque de acusar líderes da oposição democrática de tramar golpes não é algo novo: todo regime autoritário, em sua ânsia pelo poder, precisa fabricar inimigos internos para justificar perseguições, censuras e prisões arbitrárias.
– É assim na Venezuela, onde Chávez e Maduro acusavam oposicionistas de golpistas. É assim na Nicarágua, em Cuba e na Bolívia. É assim em todo o mundo. A cartilha é conhecida: fabricam acusações vagas, se dizem preocupados com a democracia ou com a soberania, e perseguem opositores, silenciam vozes dissidentes e concentram poder.
– O mundo está atento e seguiremos fazendo nossa parte para que todos se saibam o que se passa hoje no Brasil. A liberdade irá triunfar mais uma vez!”, publicou no X.
Leia mais: “Nunes sobre Bolsonaro: “Confio no espírito público e democrático””
Denúncia
Bolsonaro e mais 33 pessoas foram denunciados nesta terça-feira, 18.
No caso do ex-presidente, o PGR atribuiu a ele o cometimento de cinco crimes.
O SR. JAIR MESSIAS BOLSONARO pelos crimes de liderar organização criminosa armada (art. 2º, caput, §§2º, 3º e 4º, II, da Lei n. 12.850/2013), tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do CP), golpe de Estado (art. 359-M do CP), dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima (art. 163, parágrafo único, I, III e IV, do CP), e deterioração de patrimônio tombado (art. 62, I, da Lei n. 9.605/1998), observadas as regras de concurso de pessoas (art. 29, caput, do CP) e concurso material”, denunciou o PGR.
Previsão do julgamento
O Supremo Tribunal Federal (STF) espera julgar a denúncia contra Bolsonaro pela trama golpista ainda em 2025.
Segundo a Folha de S.Paulo, o objetivo dos ministros da Corte é evitar uma possível contaminação nas eleições presidenciais de 2026.
Para atender o prazo, parte do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ficará reservada à análise da denúncia.
Deve haver também uma mudança na agenda da Primeira Turma, responsável por julgar os denunciados.
“O cenário ideal para quatro ministros consultados, sob reserva, é a conclusão dos processos envolvendo Bolsonaro este ano. Para isso, eles projetam que o julgamento deveria ocorrer no primeiro semestre —no mais tardar, no início do segundo semestre—, para permitir que recursos se prolonguem até o fim do ano”, diz o jornal.
Leia mais: “Ministros do STF querem levar julgamento de Bolsonaro ao plenário”
Leia mais: “Crusoé: Como a PGR enquadrou Jair Bolsonaro na trama golpista”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Fabio B
19.02.2025 13:54Esse covarde vai tentar fugir para alguma embaixada, eu apostaria dinheiro nisso.