Associação de procuradores pede "debate qualificado" sobre projeto antifacção

28.08.2026

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Associação de procuradores pede “debate qualificado” sobre projeto antifacção

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 11.11.2025 17:03 comentários
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Associação de procuradores pede “debate qualificado” sobre projeto antifacção

A proposta foi elaborada pelo governo, mas o relator na Câmara defende que o texto seja aprovado na forma de um substitutivo

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Associação de procuradores pede “debate qualificado” sobre projeto antifacção
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) afirmou nesta terça-feira, 11, que a discussão sobre o projeto de lei antifacção não pode ser apressada e que é “essencial” que o debate da proposta no Congresso seja qualificado. A entidade se manifestou por meio de nota. O projeto está na pauta da sessão deliberativa desta terça da Câmara, já iniciada.

A proposta foi elaborada pelo Ministério da Justiça, mas o relator na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), defende que o texto seja aprovado na forma de um substitutivo que desagradou o governo Lula (PT).

A versão de Derrite cria o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Após uma ofensiva do governo ao longo da segunda-feira, 10, Derrite fez algumas mudanças no substitutivo.

Entre elas, a inclusão da previsão de criação de bancos estaduais de membros de organizações criminosas e da garantia de que a Polícia Federal (PF) participe das investigações de organizações criminosas, paramilitares ou milícias civis, em cooperação com a polícia estadual respectiva, sempre que os fatos investigados envolverem matéria de sua competência.

Segundo a ANPR é importante e urgente o debate em torno do projeto de lei. “A retomada de territórios hoje dominados por organizações criminosas é uma tarefa inadiável, pois a segurança pública constitui um dos maiores desafios contemporâneos do Estado brasileiro e uma prioridade da sociedade”.

Entretanto, pontuou a associação, a celeridade desejada na tramitação de um projeto dessa relevância não pode se confundir com açodamento. A aprovação de um texto sem a devida maturação técnica pode produzir efeitos contrários aos seus próprios objetivos, gerando insegurança jurídica e desorganização no sistema de persecução penal”.

Ainda na palavras da entidade, “o combate ao crime organizado exige medidas eficazes, duradouras e juridicamente consistentes – e não respostas reativas ou de natureza simbólica”. É essencial, portanto, que o debate legislativo seja qualificado e inclua todas as instituições com experiência e atribuições na matéria, entre elas o Ministério Público Federal, titular da ação penal pública e responsável por parcela central do enfrentamento à macrocriminalidade”.

A ANPR encerra a manifestação se colocando à disposição de Derrite e do Congresso para contribuir na elaboração de um texto “coeso, harmônico e eficaz, capaz de fortalecer, de fato, a estrutura estatal de combate às facções e garantir mais segurança e justiça à sociedade brasileira”.

Delegados da PF criticam parecer do relator

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou uma nota nesta terça também em que critica o parecer de Derrite sobre o projeto de lei.

Segundo a ADPF, o substitutivo contém dispositivos “inaceitáveis e flagrantemente inconstitucionais”, que poderiam submeter a atuação da Polícia Federal “interferências políticas e burocráticas”.

O projeto, afirma a associação, criaria exigências de autorizações de autoridades estaduais ou municipais para o exercício de competências exclusivas da União, o que representaria “uma tentativa perigosa de enfraquecer a ação da PF”.

Na avaliação dos delegados, a medida abriria brechas para a impunidade e dificultaria o combate ao crime organizado. “A legislação é clara ao atribuir à Polícia Federal a responsabilidade de investigar e combater organizações criminosas em todo o território nacional, sem subordinação local e sem necessidade de autorização prévia”, diz a nota.

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