Após série de desistências, CPI do Crime Organizado retoma agenda
Oitivas voltam à pauta nesta semana após paralisação por falta de convidados confirmados
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado retoma os trabalhos nesta semana após um período de esvaziamento provocado por desistências e ausências de convidados. A paralisação comprometeu o cronograma de oitivas e levou ao adiamento de reuniões consideradas estratégicas para a investigação.
Na terça-feira, 24, às 9h, a comissão ouvirá um representante da Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp. Inicialmente, o convidado era o diretor-geral da companhia no Brasil, Conrado Leister, mas a empresa indicou a diretora de Políticas Econômicas da Meta para a América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves, para prestar o depoimento. A expectativa é que a oitiva trate do uso de redes sociais por organizações criminosas, incluindo recrutamento, comunicação e disseminação de conteúdos ilícitos, além da cooperação com autoridades.
Já na quarta-feira, 25, também às 9h, está prevista a oitiva do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, mas até o momento não há confirmação oficial da presença na CPI. Segundo o senador Fabiano Contarato (PT-ES), o depoimento deve ajudar a compreender o modus operandi de infiltração do crime organizado no poder público. Na mesma reunião, os parlamentares devem analisar uma pauta deliberativa com requerimentos pendentes, entre eles novos convites, convocações e pedidos de informação.
Desde o início do ano legislativo, a CPI enfrentou dificuldades para reunir depoentes, com cancelamentos que praticamente paralisaram os trabalhos. Em fevereiro, a comissão chegou a cancelar uma semana inteira de atividades e retirar da pauta as oitivas de governadores estaduais, previstas como etapa central da investigação.
Um dos episódios que contribuíram para o impasse foi a ausência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), convidado a depor sobre políticas de segurança e enfrentamento ao crime organizado. Situação semelhante ocorreu com outros governadores convidados. A CPI adiou depoimentos dos chefes do Executivo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), após alegações de incompatibilidade de agenda e dificuldades logísticas.
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