“A prioridade não é retaliar”, diz Alckmin sobre tarifaço de Trump
Segundo vice-presidente, governo vai apresentar no começo da semana plano para minimizar efeitos da medida imposta pelo presidente dos EUA
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou neste sábado, 9, que o governo Lula deve apresentar no começo da próxima semana um plano de contingência para minimizar os efeitos do tarifaço imposto pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros. Segundo ele, as medidas vão priorizar as empresas brasileiras que mais exportam para o mercado americano.
“A prioridade não é retaliar. A prioridade é resolver, ampliar o número de setores excluídos, que fiquem fora dessa questão da tarifa que entendemos extremamente injusta”, disse durante visita a uma concessionária em Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
Alckmin afirmou que o objetivo do governo não é aumentar tarifas de retaliação aos EUA, mas sim ampliar as isenções já concedidas na sobretaxa de 50% impostas por Trump.
Atualmente, 694 produtos brasileiros estão isentos da tarifa, incluindo itens importantes da pauta de exportações como suco de laranja, celulose e aviões da Embraer. No entanto, produtos essenciais como café e carne continuam sujeitos à sobretaxa.
Alckmin também criticou a justificativa do tarifaço americano e disse que a medida tem “base jurídica totalmente fraca” e que políticas regulatórias não devem se apoiar em “questões de natureza política partidária”.
“Quando se aumenta a tarifa, quem paga é o consumidor. Não é o governo que paga, é o consumidor que acaba pagando”, afirmou. “Entendemos que é um perde-perde. Devemos ir para um ganha-ganha. Ou seja, aumentar o fluxo de comércio, aumentar a exportação, complementaridade econômica.”
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Tarifaço entra em vigor
O tarifaço entrou em vigor em 6 de agosto, oficializado por uma ordem executiva assinada por Donald Trump em 30 de julho.
A Casa Branca classificou a medida como uma resposta a ações do governo brasileiro que, segundo Washington, representam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Ao justificar a sobretaxa, Trump alegou haver uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente americano e atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pela suposta trama golpista.
Brasil recorre à OMC
Na última quarta-feira, 6, o Itamaraty divulgou uma nota oficial informando que o país apresentou um pedido de consultas do Brasil ao Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o tarifaço de 50% estabelecido pelo governo Trump aos produtos brasileiros.
No documento, o governo Lula questiona as medidas tarifárias aplicadas pelos EUA com base na “Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional (“International Emergency Economic Powers Act” – IEEPA)” e na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a política adotada pelo governo Trump viola “flagrantemente” os compromissos assumidos pelos EUA na OMC .
A OMC é uma organização internacional que tem como objetivo principal regular o comércio entre países para garantir que ele seja justo e previsível.
A entidade estabelece regras para o comércio internacional, promove a liberação do comércio e auxilia em novos acordos.
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