Tarifaço de Trump entra em vigor
694 produtos foram excluídos da tarifa extra, como aviões e suas peças, metais preciosos, produtos energéticos, fertilizantes e suco de laranja
O tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira, 6.
A medida foi oficializada por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente americano, Donald Trump, em 30 de julho e classificada pela Casa Branca como resposta a ações do governo brasileiro que, segundo Washington, representam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA.
Ao justificar o tarifaço de produtos brasileiros, Trump disse haver uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente e aliado Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista.
Ao menos 694 produtos foram excluídos da tarifa extra, como aviões e suas peças, metais preciosos, produtos energéticos, fertilizantes e suco de laranja.
A resposta dos estados ao tarifaço
Embora o governo Trump tenha adiado o início das tarifas, previstas inicialmente para entrar em vigor em 1º de agosto, alguns governos estaduais preferiram se antecipar e anunciar medidas de socorro para os setores mais impactados.
O governo de São Paulo, por exemplo, liberou de 1,5 bilhão de reais em créditos acumulados de ICMS, por meio do programa ProAtivo.
O Palácio dos Bandeirantes também ampliou a linha de crédito destinada às empresas exportadoras paulistas de 200 milhões de reais para 400 milhões de reais.
“Essa é a maior liberação de crédito da história de São Paulo. Estamos adotando medidas concretas para preservar a competitividade da nossa indústria e proteger o emprego e a renda dos paulistas. O crédito é fundamental para que os nossos empresários enfrentem esse momento desafiador com mais fôlego”, disse o governador Tarcísio de Freitas.
No Rio Grande do Sul, o governo estadual disponibilizou um programa de crédito de 100 milhões de reais por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para socorrer exportadores
“Estamos falando de setores que são fundamentais para a nossa economia, como proteína animal, calçados, indústria moveleira e de defesa, e que exportam boa parte da sua produção para os EUA. A elevação das tarifas pode gerar impacto de quase 2 bilhões de reais no PIB gaúcho, segundo a Fiergs. Por isso, estamos nos antecipando com medidas concretas de proteção”, disse o governador Eduardo Leite ao anunciar a linha de crédito em 25 de julho.
“O Rio Grande do Sul está fazendo a sua parte. Estamos mobilizando interlocutores, acionando o consulado americano, dialogando com embaixadas para colaborar na articulação. É hora de construir pontes e desarmar tensões colocando os interesses do Brasil em primeiro lugar”, acrescentou.
No Ceará, estado que mais depende dos EUA na pauta de exportação, o Palácio da Abolição estuda comprar produtos como peixes e castanha de caju para apoiar os produtores locais.
“A medida do Trump efetivamente afeta muito a economia cearense. Para o aço, mantém-se a mesma tarifa que já existia, mas o pescado [foi taxado]… A castanha de caju nós ainda estamos analisando se ela está ou não isenta. Nós temos a cera de carnaúba e os calçados, isso tem uma repercussão nas empresas cearenses que exportam e nos empregos do povo cearense”, disse o governador Elmano de Freitas.
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