Trump pode levar EUA ao “inferno” se decidir guerrear no Irã

14.01.2026

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O Antagonista

Trump pode levar EUA ao “inferno” se decidir guerrear no Irã

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Ricardo Kertzman
4 minutos de leitura 14.01.2026 14:40 comentários
Análise

Trump pode levar EUA ao “inferno” se decidir guerrear no Irã

Para piorar o que já é péssimo, é difícil imaginar que China e Rússia manter-se-ão passivos diante do avanço americano contra um aliado

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Trump pode levar EUA ao “inferno” se decidir guerrear no Irã
Imagem gerada por IA

Uma pra lá de antiga marchinha de carnaval já ensinava: “Se você pensa que cachaça é água. Cachaça não é água, não. A cachaça vem do alambique, a água vem do ribeirão”. Se Donald Trump e o séquito que lhe orienta imaginam que o Irã é a Venezuela e os aiatolás, Nicolás Maduro, os Estados Unidos poderão reviver um dos maiores pesadelos da sua história, bem como o mundo poderá estar, novamente, à beira de uma catástrofe nuclear.

A revolta em curso na teocracia sanguinária dos aiatolás terroristas chama especial atenção pela natureza das manifestações – muito semelhantes às vividas no Brasil em 2013: apartidárias, apolíticas, acéfalas e orgânicas. O quebra-pau atual não se dá por religião tampouco, mas por uma severa crise econômica, agravada, aí, sim, por questões políticas e religiosas. Ao que parece, a população iraniana cansou do regime opressor.

Especula-se, pois não há dados confiáveis, que mais de 5 mil pessoas já tenham sido mortas. É esperado para esta quarta-feira, 14, o enforcamento de um ativista preso durante os protestos. A população está sem acesso à internet, o controle sobre as notícias é absoluto, ordens de reclusão aos domicílios são constantes, a energia tem sido cortada à noite e a guarda iraniana tem atuado com máxima violência.

Não será um domingo no parque

Neste cenário apocalíptico de filme de ficção, apoiados por China, Rússia e Coréia do Norte, os aiatolás assistem às ameaças americanas certos de que, se Donald Trump intervir militarmente no país, os portões das mais profundas masmorras do inferno irão se abrir, e só Deus – ou divindade equivalente para outras religiões – sabe o que irá acontecer, seja com a população iraniana, com as forças armadas americanas ou mesmo com Israel.

Trump disparou rajadas de mísseis sobre instalações oficiais venezuelanas e, em poucos minutos, sequestrou o ditador Nicolás Maduro, levando-o preso para os Estados Unidos, onde encontra-se no momento. A despeito das suspeitas de colaboração interna, que tenha facilitado a intervenção, invadir uma república bananeira paupérrima, com 30 milhões de habitantes e poder militar inexpressivo, é uma coisa. Já guerrear no Irã, outra.

Estamos falando de uma potência militar fortemente armada, com 400 mil homens na ativa, bem-treinados e fiéis ao regime; uma força aérea diminuta e ultrapassada, é verdade – mas existente, ainda que severamente danificada por Israel no ano passado -; drones e mísseis; canhões e blindados; enfim. Sem falar de uma população de cerca de 95 milhões de pessoas, sendo que, aproximadamente, 20% apoiam o regime fundamentalista dos aiatolás.

À beira do abismo

Conflitos armados não são exatamente uma novidade na história dos EUA – sejam os travados em solo pátrio ou no exterior. Neste sentido, traumas oriundos, sobretudo das guerras da Secessão, Vietnã, Afeganistão e Iraque, são presentes e permanentes na memória e no imaginário coletivo americano. Os Estados Unidos da América, se de fato se aventurarem no Irã, encontrarão, novamente, seus piores temores e pesadelos.

Para piorar o que já é péssimo, é difícil imaginar que China e Rússia manter-se-ão passivos diante do avanço americano contra um aliado que lhes fornece petróleo barato, equipamentos militares e apoio logístico no Oriente Médio. Trump pode brincar à vontade de imperador no seu quintal – Canadá, México, Groenlândia, Brasil, Argentina, Venezuela -, mas não em uma região distante, complexa e palco de carnificinas históricas.

Que a elite empresarial americana, os políticos influentes do partido Republicano, os membros do partido Democrata com interlocução na Suprema Corte – ou a parte que ainda presta dela – e, principalmente, os militares responsáveis de alta patente das forças armadas do país, freiem os ímpetos cada vez mais imperialistas, autoritários e perigosos do amalucado cor de laranja que meteram na Casa Branca. Pelo próprio bem e do planeta. 

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