Maduro ou Trump? Eu não tenho tirano de estimação
Não tolerar ditador bananeiro não me fará torcer por e “babar ovo” de autocrata narcisista aloprado como Trump
Que fique bem claro agora e depois – antes, basta ler ou assistir a tudo o que já disse e escrevi a respeito: quero mais é que Nicolás Maduro, o tirano sanguinário que herdou a ditadura de Hugo Chávez, apodreça até o fim na prisão. Porém, não tolerar um ditador bananeiro e torcer pela deposição de seu regime, não me fará – jamais! – torcer por e “babar ovo” de autocrata narcisista aloprado como Donald Trump.
O bufão alaranjado não quer liberdade coisa nenhuma! Ao contrário. Tentou golpear a democracia americana em 2021, apoiando a invasão do Capitólio após perder as eleições de 2020 para Joe Biden e, desde que retornou ao poder em 2025, atua usualmente de forma inconstitucional e autocrática, seja internamente, com perseguições e prisões ilegais, seja externamente, ameaçando aliados e destruindo laços históricos.
Tarifaços inconsequentes, cortes de verbas de programas educacionais e de saúde pública internacionais, quebras de acordos diplomáticos, Lei Magnitsky como pressão política e ideológica e, agora, um ataque a um país estrangeiro, sem autorização do Congresso, sem amparo em leis internacionais, assumindo a “administração” desse país – inclusive a exploração de petróleo – não encontram paralelo na história americana.
O passado condena
No Vietnã foi diferente. No Iraque foi diferente. No Afeganistão foi diferente. No Irã foi diferente. Em todas essas ocasiões, não apenas houve consenso interno – e referendo político – como apoio da comunidade internacional. Não preciso nem citar a segunda guerra mundial e o combate ao Nazismo. Talvez, como exemplo mais próximo e controverso, a intervenção no Panamá, em 1989, quando o ditador Noriega foi deposto.
Citei os principais conflitos internacionais envolvendo os Estados Unidos apenas para lembrar o histórico bélico do país. Poupei a própria guerra civil, que vitimou mais de 700 mil americanos e outros embates intervencionistas como em Cuba, no leste europeu, na Ásia e na América do Sul. A verdade é que os EUA jamais deixaram de ser uma nação culturalmente imperialista, seja pela força militar ou econômica.
Antes que algum bocó açodado venha me chamar de ‘esquerdista” ou algo do gênero, uma importante lembrança: sou um fã dos Estados Unidos e de sua sociedade absurdamente imperfeita. Morei por lá em dois períodos distintos e passo temporadas, com relativa frequência, em solo americano. Adorar o país não me impede de enxergar seus defeitos e, principalmente, de lamentar a presença de Donald Trump na Presidência.
O futuro ameaça
Igualmente, desejar que Maduro faça companhia o quanto antes a Chávez, no colo do capiroto, não me obscurece a razão e o conhecimento a ponto de fechar os olhos para a ilegalidade do ato americano na Venezuela. Mas que fique bem claro: ainda que minha opinião fosse relevante o bastante para influenciar a questão, jamais partiria em defesa de Maduro e seu regime ditatorial. Tenho mais o que fazer senão ajudar assassino.
Negar que Trump não tem qualquer boa intenção, ao contrário, é um admirador confesso e amigo de facínoras ditadores mundo afora, como Vladimir Putin e os sheiks árabes de quem é parceiro comercial, é ou ser muito idólatra de tirano ou – com o perdão da veemência – muito burro. O presidente americano só quer saber do seu joguinho de tabuleiro contra a China e do petróleo venezuelano em favor de seus parças no Texas.
O grande problema disso tudo não é Maduro, a Venezuela ou quanto o laranjão vai roubar para seus sócios petroleiros, mas a mensagem que Rússia e China estão recebendo – e não é de hoje! – dos EUA: “Façam o que quiserem com Ucrânia, Taiwan e os resto de seus quintais, que, no meu, vou me divertir como quiser. Panamá, Groenlândia e, sim, Canadá e México que abram os olhos. O doidão está com tudo e não está prosa.
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Comentários (3)
Clayton De Souza pontes
04.01.2026 12:58A Groenlândia já está na mira do Trump também
Marian
03.01.2026 22:12O momento deveria ser recordar o que o ditador fez e não conjecturar o que Trump poderá fazer, não é? Esqueceu de Óscar Pérez? A Venezuela começou o ano com o pé direito. Gracias Trump
Flavio marega
03.01.2026 20:52Há males que vem para o bem...