Trump é a melhor chance da Venezuela
Presidente americano não é um aliado confiável, como atestaram os bolsonaristas, mas já fez mais do que qualquer organismo internacional ao capturar Maduro
Enquanto os venezuelanos celebram a queda do ditador Nicolás Maduro, a esquerda mundial aponta o dedo para Donald Trump.
De fato, como destacam seus críticos, o presidente americano violou a “independência política” da Venezuela, protegida pela Carta das Nações Unidas (ONU), ao capturar Maduro e sua esposa para responderem por crimes de tráfico de drogas nos Estados Unidos.
O que os críticos de Trump não dizem é que a mesma ONU — ou qualquer outro organismo internacional, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) —não fez nada de efetivo para proteger o povo venezuelano de Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez num regime criminoso que se aproximava de sua terceira década de opressão burlando ou reescrevendo todas as regras.
É contraditório e cínico clamar agora por alguma ordem diante da desordem instalada na Venezuela de forma escancarada e desavergonhada desde o fim da década de 1990.
Isso se aplica especialmente a Lula, cujos primeiros governos contribuíram para consolidar o poder de Chávez, e, no atual mandato, deu um empurrão final para Maduro fraudar mais uma eleição, com direito a recepção de chefe de Estado em Brasília, em 2023, e vista grossa na farsa eleitoral de 2024.
O fato é que Trump é a melhor chance para a Venezuela em anos, o que não quer dizer que o presidente americano seja guiado pelas melhores intenções — e nem precisa.
Cinismo
O republicano só se envolveria na crise venezuelana se enxergasse algum benefício para ele mesmo, isso não se discute.
A ação na Venezuela serve de aceno ao eleitorado latino nos Estados Unidos e preserva a zona de influência na América Latina contra o avanço da China, e esse é outro ponto de cinismo no debate.
Como diversos venezuelanos destacam em vídeos publicados nas redes sociais, China e Rússia não estavam exatamente atrás da receita da arepa ao sustentar o regime bolivariano de Maduro. O interesse no petróleo ou na zona de influência não distingue, portanto, a ação americana na região.
Sem garantias
A intervenção dos Estados Unidos na crise não é garantia, contudo, de que a Venezuela superará os 30 anos de desmandos do bolivarianismo.
O pragmatismo egocêntrico de Trump pode levar o país para qualquer lugar, a depender do sabor dos ventos, como ocorre na crise da Ucrânia há meses.
Os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro servem de testemunha. Se as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes não tivessem sido retiradas, os bolsonaristas estariam agora apontando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) como o próximo alvo de Trump.
Quem realmente se importa com a Venezuela, portanto, deve agora pressionar o presidente americano e as autoridades venezuelanas que restaram a encaminhar a reconstrução do país da melhor forma possível, dentro da institucionalidade que restou, para restituí-la plenamente.
Boa sorte
Trump usou a crise venezuelana para demonstrar força, e demonstrou, como já tinha feito em junho de 2025, ao atacar instalações nucleares no Irã. Esse tipo de ação unilateral tem, sim, graves consequências geopolíticas, mas não pode ser analisado de forma isolada.
Os Estados Unidos não são o único país atuando pelas próprias normas, como demonstram as sucessivas invasões da Ucrânia pela Rússia nos últimos anos, mas apenas uma das três grandes potências nucleares a fazê-lo. Que os venezuelanos consigam tirar o melhor proveito disso.
Leia mais: Quem vai mandar na Venezuela?
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Comentários (1)
Clayton De Souza pontes
04.01.2026 13:02Perfeito