Governo do México “condena e rejeita” ação americana na Venezuela
Sheinbaum apontou "clara violação do Artigo 2 da Carta das Nações Unidas (ONU)" ao criticar a ofensiva americana contra Maduro
A presidente do México, Claudia Sheinbaum (foto), divulgou nota para condenar e rejeitar o ataque americano em território venezuelano, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
“O Governo do México condena e rejeita veementemente as ações militares realizadas unilateralmente nas últimas horas pelas forças armadas dos Estados Unidos da América contra alvos no território da República Bolivariana da Venezuela, em clara violação do Artigo 2 da Carta das Nações Unidas (ONU)”, diz a nota.
Sheinbaum citou o artigo 2, parágrafo 4, da Carta das Nações Unidas:
“Os membros da Organização deverão abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas.”
Outros celebram
Já o presidente da Argentina, Javier Milei, compartilhou um vídeo em que liga o ditador venezuelano, capturado por forças americanas, a Lula.
Acompanhado pela mensagem “a liberdade avança” e o lema “viva a liberdade caralho”, o vídeo exibe trecho do discurso de Milei na cúpula do Mercosul, em 20 de dezembro de 2025, editado de forma a mostrar a contrariedade do presidente brasileiro ao que diz o argentino.
Naquela cúpula, presidentes e ministros de seis países do Mercosul divulgaram um comunicado conjunto em que defendiam o restabelecimento da ordem democrática e o respeito aos direitos humanos na Venezuela.
O texto foi apresentado à margem da cúpula do bloco, em Foz do Iguaçu (PR), e não contou com a assinatura de Lula em de outras autoridades brasileiras.
Assinaram o documento Milei, os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, e do Panamá, José Raúl Mulino, o chanceler da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, e representantes de Equador e Peru.
No texto, os signatários reafirmam a vigência do Protocolo de Ushuaia e o compromisso com a defesa das instituições democráticas, do Estado de Direito e dos direitos humanos.
Captura
Maduro foi capturado no início da manhã deste sábado, 3, por membros da Força Delta, a principal unidade de missão especial dos militares dos EUA.
A informação foi publicada pela emissora CBS News, após conversas com integrantes do alto escalão do governo Trump.
A Elite Army Delta Force foi responsável pela eliminação, em 2019, do antigo chefe do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram detidos durante um ataque conduzido pelas forças americanas contra a Venezuela.
Segundo o republicano, a ação resultou na retirada do casal do país por via aérea.
Horas antes do anúncio, o regime venezuelano havia acusado os Estados Unidos de promoverem uma “agressão militar” contra o país, após múltiplas explosões serem registradas em Caracas e em outras regiões durante a madrugada.
Diante dos ataques, o regime decretou estado de emergência nacional.
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