EUA podem trabalhar com atual governo da Venezuela, diz Rubio
“Vamos julgar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que eles farão”, diz secretário de Estado americano
Os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela, desde que o novo comando do país tome “as decisões certas”, disse neste domingo, 4, o secretário de Estado americano, Marco Rubio (foto).
Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS News, Rubio disse que a postura de Washington será definida pelas ações do novo governo venezuelano.
“Vamos julgar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que eles farão”, afirmou. Segundo ele, caso isso não ocorra, os EUA manterão pressão:
“Se eles não tomarem as decisões corretas, os Estados Unidos manterão múltiplas ferramentas de pressão para garantir a proteção de nossos interesses.”
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Delcy Rodríguez
Após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos EUA, a Suprema Corte da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse o comando do país.
Questionado sobre ela, Rubio evitou reconhecer legitimidade e disse apenas que Washington observará os próximos passos.
“Queremos que o narcotráfico acabe. Não queremos ver mais gangues entrando em nosso território… Queremos que a indústria petrolífera beneficie o povo, não piratas e adversários dos Estados Unidos.”
Rubio voltou a criticar Maduro e afirmou que a principal diferença agora é a possibilidade de diálogo. Para ele, o ditador era “alguém com quem não se podia trabalhar” e que “nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou”.
O secretário afirmou ainda que os EUA ofereceram ao líder chavista, em várias ocasiões, a chance de deixar o poder voluntariamente.
Petróleo e narcotráfico
Durante a entrevista, Rubio foi questionado diretamente pela apresentadora Margaret Brennan sobre conversas com Delcy Rodríguez e possíveis compromissos assumidos.
Ele evitou detalhar o teor do diálogo.
“Não vou ter essas conversas na mídia. São questões delicadas e complicadas que exigem estadismo maduro”, afirmou.
Em declarações a outros veículos, Rubio reiterou que a Venezuela continuará sendo avaliada “pelo que ela fizer”. Segundo ele, seguem em vigor medidas como a “quarentena do petróleo”, usada como instrumento de pressão.
“Vamos julgar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que eles fazem”, reafirmou.
O secretário disse ainda na entrevista que espera “ver mais cumprimento e cooperação da Venezuela”, mas alertou que, até mudanças concretas, o país continuará enfrentando sanções, pressão diplomática e ações diretas contra o narcotráfico.
Segundo Rubio, embarcações “trazendo drogas em direção aos Estados Unidos” seguirão sendo interceptadas e apreendidas.
Questionado se os EUA estariam em guerra contra a Venezuela, Rubio negou. “Isso não é uma guerra”, disse.
“Estamos em guerra contra organizações de tráfico de drogas. Isso não é uma guerra contra a Venezuela.”
Ele também rejeitou a ideia de que Washington esteja governando o país, afirmando que os EUA apenas estão “conduzindo a direção” dos acontecimentos.
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