Tensões na oposição deixam chapa de 2026 em aberto
Entenda o cenário da corrida eleitoral às vésperas do julgamento de Jair Bolsonaro
Os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO) já se lançaram pré-candidatos à presidência, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) segue dizendo que vai focar no projeto de São Paulo.
A tendência é que ele mantenha essa postura pelo menos até a conclusão do julgamento de Jair Bolsonaro (PL), quando a provável condenação do ex-presidente pela trama golpista aumentará as pressões para que a família Bolsonaro defina seu candidato para as eleições de 2026.
Com isso, Tarcísio evita bater de frente com Carlos e Eduardo, que xingam governadores de “ratos” enquanto exploram a “candidatura” do pai inelegível, misturando a corrida eleitoral com sua defesa política, midiática e jurídica.
A estratégia de contornar a pecha de “traidor”, sem antecipar um cenário que será definido em breve por força de outros agentes, poderá até render a Tarcísio algum crédito com o bolsonarismo; a questão é o quanto os Bolsonaro exigirão do governador, e quanto ele estará disposto a entregar em troca de apoio, mesmo sem o ex-presidente no palanque.
Mais do que nunca, os Bolsonaro precisarão de um aliado no poder a partir de 2027, para tentar indultar ou anistiar o patriarca – mas é nítido que preferem que seja um deles, ou que, pelo menos, um deles integre a chapa, o que tornaria Tarcísio ainda mais refém do bolsonarismo.
O maior pavor da família Bolsonaro, depois da prisão, não é a reeleição de Lula, que manteria acesa a chama bolsonarista; mas, sim, que um presidente à direita do PT ocupe o espaço de representatividade do antipetismo, que não só já existia na sociedade, como também celebrou suas maiores vitórias antes da ascensão de Jair Bolsonaro ao poder, com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, a primeira condenação de Lula em 2017 e sua prisão em 2018.
Os Bolsonaro – que contribuíram para a impunidade geral quando seu histórico de funcionalismo fantasma foi descoberto; e que ainda entregaram o eleitorado moderado a Lula com uma série de condutas alopradas – agora calculam como explorar da melhor maneira, no próximo ano, o que restou do capital eleitoral do ex-presidente, para não cair no esquecimento.
O certo é que reivindicarão os créditos pela eventual vitória de qualquer aliado e atribuirão a eventual derrota à retirada de Jair Bolsonaro da disputa, ainda que ele tenha perdido em 2022.
Como estão dispostos a “queimar toda a floresta” e “sacrificar tudo”, não será surpresa se esticarem não só a corda, mas o período de chantagem e sabotagem, prejudicando a viabilidade da candidatura de Tarcísio, que ainda precisa alcançar projeção nacional.
Qualquer impasse nesse xadrez 4D poderá abrir caminho, muito embora sinuoso, para Zema e Caiado, ou mesmo Ratinho Jr. (PSD-PR), com todos somando forças em eventual segundo turno, se não forem eliminados no primeiro. Cada um traz seu singelo trunfo: Zema pega o impulso de um colégio eleitoral decisivo nacionalmente, Caiado já era de direita três décadas antes de Bolsonaro crescer, e Ratinho Jr. tem altíssima aprovação e baixíssima rejeição, além de ser do PSD de Gilberto Kassab, o partido com maior número de prefeitos eleitos no país.
Se há um governador, no entanto, que tem criticado abertamente lulismo e bolsonarismo, e que teria desprendimento para apontar a sabotagem dos Bolsonaro à oposição a Lula, é Eduardo Leite (RS), também do PSD. Ele corre por fora, sem base ideológica de eleitorado, mas atrás da adesão de milhões de brasileiros cansados do “nós contra eles”. Contrariando o preconceito dos falsos machões que associam todos os gays à falta de firmeza, Leite tem sido o único governador firme no repúdio aos dois polos: “Sou inimigo da polarização, porque a polarização é inimiga do Brasil”, sentenciou.
Enquanto isso, Lula explora medidas impostas pelo governo de Donald Trump contra o país e ministros do Supremo Tribunal Federal, para posar de defensor da “soberania nacional”, a única bandeira restante para um presidente perdulário, com ideias mofadas e, por isso mesmo, dependente do bolsonarismo como cortina de fumaça e contraponto redentor.
Este é o cenário de um Brasil adoecido: agarrado a um passado que não deu certo; e à espera de um futuro que, em algum grau, o repita.
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Comentários (2)
Eliane ☆
19.08.2025 21:40Viveremos o eterno: tudo muda pra ficar igual? Está difícil ter um mínimo de otimismo.
Carlos Eduardo Dubena
19.08.2025 17:20Chega de polarização entre lulismo e bolsonarismo