“Tariflávio” expõe risco de jogar com Trump
Flávio recuperou fôlego com visita a Trump e designação de PCC e CV como terroristas pelos EUA, mas se arrisca a perder terreno com tarifas
Assim como tinha feito Lula após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi a Donald Trump tentar se recuperar do estrago causado pelo filme Dark Horse em sua pré-campanha presidencial.
A foto com o presidente dos Estados Unidos teve efeito positivo, assim como tinha ocorrido com a foto de Lula com Trump. Mas a visita de Flávio teve ainda mais relevância, porque foi turbinada, dias depois, pela designação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo americano.
Flávio naturalmente capitalizou em cima do assunto, insinuando que teve participação nessa decisão, e o governo Lula, desconfortável por se sentir impelido a se opor à medida, demorou algumas horas para responder. A resposta reativa do presidente, que apelou ao terrorismo com o Pix, colocou a gestão petista exatamente onde os bolsonaristas queriam: ao lado dos criminosos.
Tem influência ou não?
Ironicamente, veio do governo Trump o antídoto para o encurralado Lula. Com a perspectiva de imposição de novas tarifas ao Brasil, que teriam, entre outros motivos alegados, exatamente o Pix, o governo foi recolocado politicamente na mesma posição que ocupou durante o tarifaço de 2025.
Se o discurso de soberania dificilmente funcionaria no caso de sanções a instituições financeiras que se prestassem a ser usadas por facções criminosas, ele se encaixa perfeitamente no discurso contra tarifas de importação impostas a todos os brasileiros, mesmo aqueles que não cometeram crimes.
Caso venham mesmo a ser impostas, as tarifas prejudicarão todo o país, mas abastecerão o discurso do governo Lula. Afinal, se Flávio tem influência sobre o governo Trump, por que não foi capaz de impedir o avanço da Seção 301, um processo iniciado junto com o primeiro tarifaço?
“Tariflávio”
A mesma quebra de expectativa já tinha ocorrido quando o governo Trump retirou as sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e quando o presidente americano começou a se entender com Lula em Assembleia da ONU.
Agora, o filho 01 de Jair Bolsonaro disse que chegou a pedir a Trump que não impusesse novas tarifas ao Brasil. Ele precisa torcer para o presidente americano realmente não impor as tarifas, e, se não for pedir muito, que Trump faça isso dando a impressão de que o fez por influência de Flávio.
Fora disso, “Tariflávio”, o novo apelido do senador, vai se impor, assim como ocorreu com o do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. “Taxadd” tentará se eleger governador de São Paulo neste ano sem saber direito se foi a favor ou contra a taxa das blusinhas.
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