Só existem 241 Bolsonaros
Só há 241 pessoas com o sobrenome Bolsonaro no Brasil, segundo o último levantamento do IBGE. Não dá para criar um partido; eles precisam confiar em outras pessoas
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta semana os nomes e sobrenomes mais populares do Brasil, que podem ser consultados pela ferramenta Nomes no Brasil.
Há 34 milhões de Silvas na lista. É o sobrenome mais popular do país. O sobrenome Bolsonaro, por outro lado, aparece com apenas 241 registros. Não é o bastante, por exemplo, para criar um partido político.
O Movimento Brasil Livre (MBL), que surgiu no contexto do impeachment de Dilma Rousseff, conseguiu criar o seu nesta semana. O Missão reuniu 578 mil assinaturas, mais do que as 547 mil necessárias, como atestou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Aliança pelo Brasil, que seria o partido de Bolsonaro, não conseguiu reunir tanto apoio formal, e o atual imbróglio de Santa Catarina indica um dos motivos do fracasso da empreitada.
Foi escancarado nesta semana o incômodo de aliados da família Bolsonaro com a imposição da candidatura do vereador carioca Carlos (PL) a uma vaga no Senado por Santa Catarina.
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Migração
Jair Renan, filho 04 do ex-presidente, já tinha migrado do Rio de Janeiro para o estado, onde se tornou vereador de Balneário Camboriú sem muito incômodo para os locais.
O Senado é um pouco diferente da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú: tem menos cadeiras para catarinenses.
A mudança planejada por Carlos embaralhou as perspectivas da coligação pela reeleição do governador Jorginho Mello (PL), que contava com o tempo de televisão do PP do senador Esperidião Amin — que, por sua vez, contava com o apoio de Bolsonaro para se reeleger.
Só há duas vagas para concorrer ao Senado por cada coligação. Se Jorginho quiser mesmo o tempo de televisão e o apoio dos vereadores e deputados estaduais do PP, a segunda vaga será de Esperidião, um político de longa carreira. E a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) fica de fora.
Uma das políticas jovens de maior expressão em Santa Catarina, Carol já começou a se movimentar para migrar para o Novo, de onde manteria sua candidatura ao Senado.
A perspectiva dessa mudança se tornou um constrangimento para a família Bolsonaro, principalmente pela disposição da deputada estadual Ana Campagnolo de apontar os prejuízos potenciais para o PL e a direita de Santa Catarina, e para a campanha de reeleição de Jorginho.
Os alertas da deputada, que pede a Carlos que se candidate à Câmara Federal ou dispute o Senado em outro estado, foram encarados como um desafio ao projeto (ou à autoridade} bolsonarista, e ela virou alvo de críticas pesadas de aliados do ex-presidente, como o senador Jorge Seif (PL-SC), outro que trocou o Rio de Janeiro por Santa Catarina com as bênçãos de Bolsonaro.
Família
Ao responder aos questionamentos de Campagnolo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) cobrou lealdade, classificou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também não é da família, como “candidato do sistema” e disse, entre outras coisas, o seguinte:
“Por que você acha que o Bolsonaro estimula e apoia os seus filhos a entrarem na política? É justamente por conta desse tipo de situação.”
Ou seja, o ex-presidente só pode confiar na própria família. Seria o bolsonarismo, então, um projeto de poder familiar, no qual são tolerados, no máximo, aliados que se submetam de forma absoluta às vontades de seus filhos, mulher, tios, etc?
É o que fica sugerido não apenas por esse caso, mas pelos de tantos outros aliados que ficaram pelo caminho e, hoje, são usados como exemplo, como a ex-deputada federal Joice Hasselmann.
Líder?
No caso específico das divergências em Santa Catarina, no qual também vai sendo expurgado o comediante Paulo Souza, a ausência do próprio Bolsonaro, em prisão domiciliar, parece ter potencializado o desentendimento público entre seus filhos e os aliados de Santa Catarina.
Mas as divergências já existiam quando Bolsonaro estava solto, tanto que levaram a diversos rompimentos, como o do falecido Gustavo Bebianno, o do general Santos Cruz, o do governador cassado do Rio Wilson Witzel e o de Sergio Moro (União-PR), que se entendeu com os bolsonaristas depois de deixar o Ministério da Justiça reclamando do ex-presidente.
Para efeitos de comparação, José Dirceu, Delúbio Soares e João Vaccari, entre outros, foram para a cadeia sem delatar Lula. Essa é uma diferença crucial entre o bolsonarismo e o lulismo.
Dilema
Lula desenvolveu, ao longo de décadas e com ajuda do PT, que o moldou para se beneficiar de sua aura de operário humilde, a relevância que lhe permitiu submeter os aliados até o ponto de não permitir florescer ninguém a sua volta.
Bolsonaro não tem isso. Ele se tornou um líder relevante por conta das condições que se apresentaram — era necessário alguém disposto a se rebaixar ao nível dos petistas, num momento em que Lula estava disposto a desafiar a Justiça brasileira em nome da própria liberdade.
É com esse limite que os bolsonaristas se defrontam agora, num momento em que seu maior líder está fora do jogo político. Vale a pena seguir se submetendo às vontades de uma família nessas condições? E quando será o momento certo — se é que haverá — para se emancipar dela?
Leia mais: As capitanias hereditárias do bolsonarismo
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Comentários (3)
Erico Mattos
10.11.2025 10:47Ela continua sendo subserviente, pelo menos na mídia, aos seguidores de Bostanaro. Michele maravilhosa, Eduardo incrível. kkkk
Maglu Oliveira
08.11.2025 19:06241 Bolsonaros? A gente não sabe se diz FELIZMENTE, não são tantos, ou se diz INFELIZMENTE 241 DEMAIS
Andre Luis Dos Santos
08.11.2025 16:28Qualquer que seja o estado que esse MERDA venha a migrar pra ser candidato, deveria mandar uma mensagem clara, NAO VOTANDO nesse sujeito.