“Tarcísio é o candidato do sistema”, diz Eduardo
Deputado federal publica vídeo para defender candidatura do irmão Carlos ao Senado por Santa Catarina e acaba sobrando para o governador de São Paulo
A família Bolsonaro segue fincando suas trincheiras em Santa Catarina.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foto) publicou um vídeo em seu canal no YouTube para defender a candidatura do irmão Carlos (PL), vereador pelo Rio de Janeiro, ao Senado por Santa Catarina em 2026.
A gravação de Eduardo foi feita em resposta à deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC). A aliada da família tem questionado publicamente a estratégia bolsonarista, que, segundo ela, deve dificultar a reeleição do governador Jorginho Mello (PL), pois interfere na aliança com o PP.
“Eduardo Bolsonaro, entendo o seu sentimento, sei que espera obediência em todas as propostas da família. Mas você contrariou seu pai quando foi ventilada a hipótese dele lançar o Tarcísio à Presidência. E talvez ele lance. Como vai ser? Por que você pode manifestar sua contrariedade e os outros aliados não? Você quer lealdade ou todos temos que obedecer e atender as vontades de cada membro da família”, questionou Campagnolo em um story em seu perfil no Instagram.
Eduardo não apenas respondeu à mensagem, como aproveitou para desqualificar mais uma vez uma possível candidatura presidencial do governador de São Paulo:
“Campagnolo, o Tarcísio é o candidato do sistema. É o cara que o [Alexandre de] Moraes quer, que gostaria que fosse eleito, porque ele ainda viria com apoio de Jair Bolsonaro. O meu pai foi posto numa prisão domiciliar com tornozeleira, esculachado e sem rede social por conta deste projeto. Bolsonaro não tem vontade livre. Por isso que eu, várias vezes, sacramentei, repeti, falei e vou desenhar aqui mais uma vez: ele se encontra na posição de sequestrado. Naquela oportunidade, diferente desse vídeo que eu acabei de te mostrar, quando ele fala que o candidato dele em Santa Catarina é o Carlos Bolsonaro. Então, não tem como você falar em lealdade, em gratidão, quando a sua conduta não se expressa dessa maneira. E fica complicado de entender qual gratidão que é essa.”
O filho 03 de Bolsonaro já tinha reclamado publicamente de Tarcísio, no contexto da reação ao tarifaço de Donald Trump, mas fez questão de dizer que tinha se entendido com o governador no dia seguinte. Não parece.
Alianças
A candidatura de Carlos em Santa Catarina interfere na perspetiva de aliança entre PL e o PP do senador Esperidião Amin, que espera uma das duas vagas da coligação da chapa de reeleição de Jorginho para tentar permanecer no Senado por mais oito anos.
A outra vaga seria da deputada federal Carol de Toni (PL-SC), para quem, diante da candidatura de Carlos, restaria uma mudança de partido no caso de sustentar a pretensão de eleição ao Senado.
Foi a partir do surgimento das conversas sobre migração de Carol para o Novo que o incômodo dos aliados de Bolsonaro em Santa Catarina acabou externado.
Desde então, a família Bolsonaro tenta conter o desgaste. Além de Carlos, Eduardo e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama Michelle também apareceu para manifestar seu apoio a Carol de Toni, apesar de o movimento de Carlos inviabilizar a presença dela no PL.
Campagnolo argumenta que a estratégia é ruim para o PL e para o “projeto” bolsonarista, e ainda deixou sugerido que a eleição de Carlos ao Senado tem o objetivo de protegê-lo do Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia mais: As capitanias hereditárias do bolsonarismo
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Comentários (4)
Edmilson Siqueira
05.11.2025 17:43A burrice política da família Bolsonaro se consolida cada vez mais.
Fabio B
05.11.2025 09:30E o problema maior que vejo no Tarcísio é que ele naõ tem "personalidade", está sempre esperando a orientação ou comando de alguém. Essa coalização mesmo do Centrão que se formava em torno dele nem foi orquestrada por ele, era o Ciro Nogueira, seu eventual Vice, quem articulava tudo. Eu sei que o Tarcísio tem suas qualidades, mas ele não tem vontade própria, é sempre acessório de alguém, sempre o soldado de alguém. A real é que não tem pulso para ser presidente. Foi o menino da Dilma, do Temer, do Bolsonaro, e hoje é o menino do Ciro Nogueira. Eu até prefiro que essa coalizão do Centrão não se forme mesmo, pois assim pode dar chance de uma direita real despontar, como o Renan Santos do recém formado partido Missão.
Fabio B
05.11.2025 09:16O mais irônico é que o Bananinha até tem certa razão nessa. A candidatura do Tarcísio realmente juntaria as raposas do Centrão e até o STF. Só que ao “denunciar” isso, o Bananinha não parece estar sendo "conservador", nem inteligente. Esse "tudo ou nada" dele deve acabar com nada mesmo. O Tarcísio era o que tinha maior chance de vencer o Lula, e poderia aliviar a barra do papai dele, mesmo que com uma prisão domiciliar. Mas o clã Bolsonaro prefere destruir o tabuleiro a perder o protagonismo. No fim, esse chilique do Bananinha só ajuda o Lula mesmo e desarticula a coalizão que se formava sem ele em torno do Tarcísio. É o bolsonarismo em sua forma mais pura: autofágico, mesquinho e burro.
Claudemir Silvestre
05.11.2025 08:58O Brasil só volta a crescer quando LULA e sua gangue de criminosos e esta familia Bolsonaro sumirem da politica !! O país precisa de gente e ideias novas !! Hoje Tarcisio sem duvida seria a melhor opção para o país !!