As capitanias hereditárias do bolsonarismo

08.10.2026

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As capitanias hereditárias do bolsonarismo
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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 04.11.2025 12:42 comentários
Análise

As capitanias hereditárias do bolsonarismo

Os aliados do ex-presidente firmaram uma espécie de pacto fáustico: de fato, não existe bolsonarismo sem Bolsonaro, e nem (muitos) votos

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 04.11.2025 12:42 comentários 3
As capitanias hereditárias do bolsonarismo
Foto: Reprodução/ Instagram

A candidatura do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL, à esquerda na foto) ao Senado por Santa Catarina bagunçou os acordos da direita no estado, como era de se esperar.

A família Bolsonaro tenta convencer os apoiadores de que está tudo bem, mas o desconforto com a possibilidade de saída da deputada federal Carol de Toni (SC) do PL para o Novo, verbalizado principalmente pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL), está posto.

A chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL, ao centro na foto) previa uma das duas vagas ao Senado para a tentativa de reeleição de Esperidião Amin, do PP.

Carluxo, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a ex-primeira-dama Michelle dizem que a candidata bolsonarista será Carol, mas Campagnolo lembrou a todos que Esperidião não terá muito motivo para apoiar a reeleição de Jorginho sem ser apresentado como candidato bolsonarista.

Os Bolsonaros miram maioria no Senado em 2027 para conseguir eleger o presidente da Casa e trabalhar a perspectiva do primeiro processo de impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que daria alguma margem de negociação para livrar o patriarca da cadeia.

“Família menos vulnerável ao STF”

Campagnolo destacou, contudo, uma meta mais prosaica da família com a migração de Carluxo para Santa Catarina: “O presidente [Bolsonaro] acredita que os filhos com mandato no Senado, que a família com mandato no Senado, é menos vulnerável ao STF”.

É disso que se trata, no fim das contas, e talvez do que tenha se tratado desde sempre. O expurgo de antigos aliados que ousaram questionar os Bolsonaros é a prova de que o lema “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” tem um complemento oculto: família em primeiro lugar.

Os aliados do ex-presidente caíram numa armadilha — ou firmaram uma espécie de pacto fáustico: de fato, não existe bolsonarismo sem Bolsonaro, e nem (muitos) votos sem bolsonarismo.

E Eduardo disse isso com todas as (muitas letras) a Campagnolo em post no X.

“Quando você veio até nós pedir apoio, comprometeu-se a reconhecer e respeitar a liderança de quem iria projetar sua carreira política”, escreveu o deputado em longo texto, completando:

“E veja, não estou pedindo que ninguém viole seus princípios morais. Pelo contrário: honre seus princípios sendo leal e honesto. Se, um dia, você achar que a liderança política à qual pertence não está mais alinhada aos seus valores, fale em público e rompa abertamente. É o que eu faria se estivesse num grupo político que se desviasse dos meus princípios.”

O projeto

Soa ingênuo, de fato, dizer, como faz Campagnolo, que ela está atuando em defesa do “projeto bolsonarista” ao apontar o equívoco político de interferir em um estado onde o PL está consolidado.

Ela está certa na crítica sobre a estratégia, mas é impossível ignorar que o “projeto bolsonarista” depende da família Bolsonaro — é possível até dizer que o projeto se trata da própria família Bolsonaro, num momento em que Jair está preso e seu filho Eduardo está em vias de virar réu no STF.

Essa é a situação em que se encontra agora a direita que surfou a onda do bolsonarismo. Muitos, como o governador do Rio de Janeiro cassado Wilson Witzel, já ficaram pelo caminho. Quem mais ousará tentar se descolar do ex-presidente, ainda que ele esteja preso e inelegível?

A próxima legislatura pode ter quatro Bolsonaros no Senado, cada um por uma unidade da federação diferente: Flávio pelo Rio, Eduardo por São Paulo, Michelle pelo Distrito Federal e Carlos por Santa Catarina. E ai dos aliados que reclamarem das capitanias hereditárias do capitão.

Leia mais: Eduardo no mundo do Lula

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (3)

Luiz Filho

07.11.2025 09:47

Carluxo, a doida, foi um zero a esquerda em 20 anos como vereador no RJ. Seu irmão , Flavio rachadinha, ajudou a abortar a lava toga e viu o pai acabar com o próprio governo só para salvar o mandato. Bananinha votou errado várias vezes e deu vitórias ao pt. Família burra da porra!


Luis Eduardo Rezende Caracik

04.11.2025 13:56

Pois é. Aparentemente o bolsonarismo é um vírus "imorrível"....


Eduardo

04.11.2025 13:27

É uma vergonha pra nós catarinenses, a resposta terá que vir das urnas


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