Só Deus salva o STF?
Ministro André Mendonça pregou em igreja contra a "tentação do diabo" ao falar sobre "o poder político e institucional" e alertou para os riscos da vaidade
Indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro como o “ministro terrivelmente evangélico”, André Mendonça (foto) pregou no domingo, 22, para alertar contra a “tentação do diabo” ao falar sobre “o poder político e institucional”.
Relator do caso do Banco Master desde a saída de Dias Tofofli, que deixou o caso sem se declarar suspeito ou impedido, Mendonça disse ainda que quem come o pão para agradar o próprio coração e a própria vaidade “vai comer o pão que o diabo amassou”.
Essa pregação está em harmonia com dois dos maiores expoentes da direita brasileira atualmente, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, cujo destaque e protagonismo incomodam os herdeiros diretos de Bolsonaro.
O ministro indicado pelo ex-presidente ao STF pregou no momento em que dois de seus colegas, Toffoli e Alexandre de Moraes, se veem às voltas com cifras milionárias em meio ao maior escândalo político do momento.
Pão que o diabo amassou
Toffoli admitiu, apenas após muita pressão, que foi sócio do resort Tayayá, que tem participação do Master. A sociedade teria sido deixada a troco de 35 milhões de reais, em fevereiro de 2025, meses antes de o ministro assumir a relatoria do caso do Master no STF.
Já Moraes se complicou quando veio a público a informação de que o banco firmou com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, um vago contrato de 129 milhões de reais.
Tudo isso ocorre em meio a questionamentos sobre o infinito inquérito das fake news, que completa 7 anos em março e não se justifica mais nem aos olhos da OAB, especialmente desde que Bolsonaro foi preso.
Fake news
Mas o inquérito das fake news não foi criado exatamente para enfrentar Bolsonaro, e a nova investigação de fiscais da Receita Federal sob suspeita de vazamento de dados serve para lembrar isso.
O inquérito das fake news começou alegando os mesmos vazamentos de dados, que não se confirmaram, numa tentativa do STF de se proteger do avanço da Operação Lava Jato, que acabaria derrubada nos anos seguintes por seus ministros.
Diante de toda essa confusão, o presidente do STF, Edson Fachin, tentou elaborar um código de conduta para dar alguma resposta à população, mas a proposta foi rechaçada por parte dos ministros.
Como o Senado, única instância reguladora do STF, também não se mostra animado a colocar um freio no tribunal, talvez só reste mesmo jogar o destino do Supremo nas mãos de Deus.
Leia mais: O pesadelo Alexandre de Moraes
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Comentários (1)
Ita
24.02.2026 10:22Aliás, nem Jesus, só Deus.