Os ministros fiéis
Sabino e Fufuca alegam pensar no bem do país ao permanecer no governo, mas estão no mesmo barco eleitoral onde Lula se enfiou há meses
Celso Sabino e André Fufuca anunciaram no mesmo dia que permanecerão no governo Lula contra a vontade de seus partidos. Os ministros do Turismo e do Esporte, respectivamente, alegaram pensar no bem do país ao tomar a decisão, mas estão no mesmo barco eleitoral no qual o presidente da República se enfiou no início do ano, após o fracasso de seu tímido pacote de corte de gastos.
União Brasil e Progressistas, os partidos que se uniram e impuseram a seus ministros a saída do governo, também o fizeram em um cálculo eleitoral, destaque-se. E ambos afastaram os ministros como resposta à desobediência, mantendo a perspectiva de expulsá-los no futuro.
Sabino já tinha até entregado sua carta de demissão, sob pressão do prazo de 24 horas imposto pelo União para deixar o governo, mas tentava esticar a permanência até o Círio de Nazaré, celebrado em 12 de outubro.
Campanha
O anúncio da decisão de permanecer veio logo no dia em que pesquisa Genial/Quaest confirmou a melhora de popularidade de Lula, que já vem sendo registrada por diversos levantamentos, inclusive o Lulômetro, medido pela Real Time Big Data em parceria com O Antagonista.
Segundo a Quaest, Lula atingiu a melhor aprovação desde janeiro, época em que o petista desistiu de governar e passou a investir da forma mais irresponsável possível na reeleição.
Sem conseguir emplacar seu débil plano de corte de gastos em dezembro de 2024 e desassistido pela suposta base de apoio no parlamento, o petista desistiu de fazer a reforma ministerial prometida para melhorar sua interlocução no Congresso Nacional e se encastelou entre aliados do próprio PT.
Na conta do país
Desde então, o governo trabalha minuciosamente, sob o comando do marqueteiro Sidônio Palmeira — e com a ajuda involuntária da família Bolsonaro e de Donald Trump —, para reconquistar milimetricamente o eleitorado de que Lula precisa para sobreviver no Palácio do Planalto, oferecendo benesses como vale-gás e a promessa de ampliação de isenção do Imposto de Renda.
Já o país ruma para 2027 sob a perspectiva de um colapso fiscal, admitida publicamente pelo próprio governo, enquanto Lula enrola seu eleitorado com o discurso da “justiça tributária” para aumentar impostos e reclama do sistema de saúde pelo qual ele próprio é responsável.
Sabino, que justificou sua permanência no governo “pelo bem do turismo”, está de olho em uma vaga no Senado pelo Pará — as pesquisas o apontam como quarto ou quinto colocado.
Fufuca, para quem “a pauta do desenvolvimento social e econômico do Maranhão e do Brasil está acima de quaisquer divergências”, também deve tentar sua cadeira no Senado, pelo Maranhão.
Caso consigam se eleger junto com Lula em 2026, os futuros senadores Sabino e Fufuca terão a oportunidade de ajudar a tirar o país do buraco que o presidente petista não para de cavar na tentativa de se manter no poder, sempre em nome — e às custas — do Brasil, naturalmente.
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Comentários (1)
Eliane ☆
08.10.2025 16:09O aumento da popularidade do Lula, segundo uma comentarista ; é bem aquém do esperado. Muita coisa pode acontecer em um dia...