Tebet defende “dever de casa” do ajuste fiscal só depois da eleição
Declaração da ministra do Planejamento escancara plano do governo Lula de gastar para conseguir votos em 2026
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reconheceu que o governo Lula tem um “dever de casa” a fazer ao comentar a necessidade de um ajuste fiscal no programa oficial Bom dia, Ministro transmitido na terça-feira, 25, mas prometeu entregá-lo só depois da próxima eleição.
“A gente tem, sim, para encerrar, um dever de casa. E, aí, fala aqui alguém que é mais liberal na economia. Nós precisamos fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro, sem tirar direito de ninguém. Quando falam ‘ajuste fiscal vai tirar direito do trabalhador’, não precisa tirar um direito. Porque tem tanta gordura para fazer….
Agora, lembrando, [para fazer] isso nós dependemos de parceria do Congresso Nacional, porque, quando apresentamos as medidas, o Congresso tem que estar com vontade de votar. Nós estamos perto de um processo eleitoral, aí fica mais difícil. Acho que a janela, repito, acho que a janela para as grandes mudanças estruturais no ajuste, elas acabarão ficando para pós-eleição de 26.”
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Janela fechada
Ao ser questionada sobre a política monetária do Banco Central sob o comando de Gabriel Galípolo, que foi indicado por Lula, e sobre como a alta dos juros “dialoga com a política de incentivo ao consumo do Governo Federal”, Tebet disse o seguinte:
“Há sim o fator das contas públicas, é um fator que preocupa o Banco Central e isso não é segredo, está lá no comunicado, em breve vai estar na ata, né? [a ata saiu na manhã de terça-feira, quando ela dava a entrevista] (…) Eu não vejo essas medidas que o presidente e a equipe econômica têm apresentado como nesse momento como algo que vai impactar a inflação e explico o porquê:
A questão do consignado para o trabalhador da iniciativa privada não é só uma questão de justiça. É uma questão de poder, diante de fato que nós temos, de dados que nós temos de que a população brasileira está altamente endividada, e com juros muito mais altos do que quem pega o consignado por ser aposentado ou servidor público, que ele possa trocar uma dívida com juros altíssimos por uma dívida mais barata.”
Inflação
A ministra admitiu, logo na sequência, que “vai sobrar um pouquinho mais no orçamento” e que “o pouco que sobra ele vai para o supermercado gastar”, o que deve pressionar a inflação para cima. Segundo ela, contudo, “é o mínimo que o Estado brasileiro tem de suportar, e nós temos que arcar com isso”.
Sobre a proposta de ampliar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais por mês, Tebet disse que “ninguém votou enganado”, pois Lula “está apenas colocando em prática, porque é assim que tem que ser”.
Isso não anula, contudo, o impacto da medida, caso venha a ser aprovada, para o Orçamento do governo, ainda mais quando Lula não demostra qualquer intenção de conter gastos. O governo calcular que estará abrindo mão de pelo menos 27 bilhões de reais em 2026 com a ampliação da isenção, e ainda não tem garantia de recomposição desses recursos ao Orçamento.
Gastança
Essas declarações da ministra do Planejamento escancaram o plano do governo Lula de gastar para conseguir votos em 2026, que o próprio petista e outros ministros, como Fernando Haddad, da Fazenda, já tinham deixado claro, como vem destacando O Antagonista há meses.
Nos bastidores, contudo, Tebet teria admitido que “cansou de falar” dentro do governo sobre a necessidade de um ajuste fiscal.
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