“Obama abriu caminho para o Irã se aproximar da bomba”, diz Netanyahu

25.06.2026

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O Antagonista

“Obama abriu caminho para o Irã se aproximar da bomba”, diz Netanyahu

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Felipe Moura Brasil
7 minutos de leitura 18.06.2025 12:44 comentários
Análise

“Obama abriu caminho para o Irã se aproximar da bomba”, diz Netanyahu

Primeiro-ministro de Israel criticou acordo nuclear de 2015 assinado pelo então presidente dos EUA e depois rompido, em 2018, por Donald Trump, que agora cobra novos termos

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Felipe Moura Brasil
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“Obama abriu caminho para o Irã se aproximar da bomba”, diz Netanyahu
Foto: Reprodução/Redes sociais

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, criticou o ex-presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, por ter aberto caminho para que o Irã construísse a bomba atômica, com a assinatura do acordo nuclear de 2015.

“Obama surgiu com medo de que eu liderasse outro ataque. Ele convenceu todos a entrarem em um acordo — um acordo absurdo. Ele abriu caminho para o Irã, com bilhões de dólares, enriquecer urânio, desenvolver centrífugas avançadas e se aproximar da bomba. E contra isso eu tive que lutar. Fui ao Congresso [americano] falar. Muitos não entenderam o objetivo na época. O objetivo era manter a resistência nos EUA contra o programa nuclear.”

A declaração de Netanyahu foi dada na terça-feira, 17, em entrevista ao Canal 14, conduzida pelo jornalista israelense Yinon Magal.

Em razão do avanço do Irã no enriquecimento de urânio, Israel começou a atacar instalações nucleares do regime do aiatolá Ali Khamenei na noite de quinta-feira, 12, e vem sofrendo ataques iranianos com mísseis balísticos, disparados contra a população civil em seu território, desde a sexta-feira, 13.

No dia 15, Hillel Neuer, diretor da ONG UN Watch, que vigia a Organização das Nações Unidas (ONU), já havia ironizado um comentário antigo de Obama, publicado em 5 de agosto de 2015 no então Twitter, atualmente X, como um dos “tuítes que não envelheceram bem”.

“Não existe cenário em que o alívio das sanções transforme o Irã em potência dominante da região”, dizia o tuíte de Obama, usando a hashtag “#IranDeal”, em referência ao acordo nuclear assinado pelo então presidente dos EUA com o regime iraniano.

Pode-se até discutir, como outros comentários discutiram, se o Irã já se tornou ou não a potência dominante no Oriente Médio, onde Israel, apesar de sua pequenez territorial, mantém força bélica e econômica; mas a complacência de Obama com os aiatolás que prometem abertamente destruir Israel favoreceu, na visão de Netanyahu e Neuer, a capacidade do regime iraniano de varrer o país do mapa, alcançando de vez a dominação. É contra esse cenário que Israel reage agora.

Os alertas de 10 anos atrás e os relatórios recentes sobre a ameaça nuclear do Irã

Eu, Felipe, mostrei em 2015 que as garantias retóricas de Obama contrariavam os termos de seu acordo com o Irã, que não garantiam a interrupção do enriquecimento de urânio.

Não era popular, ou melhor, era ainda menos popular, dez anos atrás, publicar textos como “Obama deu a vitória ao Irã. Veja 16 razões” e “Obama mentiu sobre bomba. Netanyahu estava certo”, porque, além da postura anti-Israel da esquerda dominante na política e nas redações brasileiras, havia o deslumbramento provinciano com o então presidente dos EUA e sua pose marqueteira de pacificador, sem falar na patrulha que buscava transformar qualquer alerta ou crítica em prova de “racismo”.

O colunista e escritor americano David Horowitz, que deixou a militância marxista dos anos 1960 e 1970 para se tornar um dos principais críticos da esquerda nos EUA, tampouco se deixou intimidar pelo obamismo midiático. Na ocasião, traduzi uma análise que ele fez do “IranDeal”, com perguntas e respostas, tais como:

“O regime iraniano foi intimado a interromper todo o enriquecimento de urânio, inclusive nas milhares de centrífugas girando na principal usina de enriquecimento em Natanz? Não. O acordo especificamente dá legitimidade ao enriquecimento sob certas limitações desgastadas.”

A usina nuclear de Natanz, a maior do Irã, localizada no centro do país, foi alvo dos bombardeios de Israel, como confirmou a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA). O conselho diretivo da agência sediada em Viena havia afirmado na quinta-feira, 12, que o Irã violou suas obrigações de não-proliferação de armas nucleares, firmadas no tratado conhecido como TNP. A declaração reforçou o argumento de ameaça existencial que levou Israel ao ataque naquele dia.

Segundo a AIEA, em três meses, o Irã dobrou seu estoque de urânio enriquecido a 60% de pureza, chegando a um nível muito acima do necessário para produção de energia civil. Estima-se que a usina de Natanz tenha cerca de 15 mil centrífugas em funcionamento.

O Instituto de Ciência e Segurança Internacional (ISIS, na sigla em inglês) analisou o relatório da agência e concluiu que “o Irã não tem uso civil ou justificativa para sua produção de urânio enriquecido a 60%, particularmente no nível de centenas de quilos”; que “o Irã foi muito além do que seria necessário”; e que “a verdadeira intenção do Irã é estar preparado para produzir grandes quantidades de WGU [em inglês, Weapon-Grade Uranium; em português, urânio de grau militar] o mais rápido possível, no menor número possível de centrífugas”.

“O Irã pode converter seu estoque atual de 60% de urânio enriquecido em 233 kg de WGU em três semanas na Usina de Enriquecimento de Combustível de Fordow [FFEP, na sigla em inglês], o suficiente para 9 armas nucleares, considerando-se 25 kg de urânio de grau militar (WGU) por arma. O Irã poderia produzir sua primeira quantidade de 25 kg de WGU em Fordow em apenas dois ou três dias”, diz o ISIS.

Ainda segundo o instituto, “as duas instalações juntas” – Fordow e Natanz – “poderiam produzir WGU suficiente para 11 armas nucleares no primeiro mês, 15 até o final do segundo mês, 19 no final do terceiro mês, 21 até o final do quarto mês e 22 até o final do quinto mês”.

Há uma década, entre tantos outros pontos, David Horowitz alertou também:

“O regime iraniano foi intimado a lacrar e desmontar a usina de enriquecimento subterrânea construída secretamente em Fordow? Não. (…)

O regime iraniano foi intimado a deter a pesquisa de desenvolvimento das centrífugas mais velozes que permitirão que o país consiga fabricar a bomba muito mais rápido do que atualmente? Não.”

O rompimento do acordo nuclear e a pressão de Trump por novos termos

Por essas razões, Donald Trump rompeu em 8 de maio de 2018 o “IranDeal” de 2015. O sucessor de Obama na presidência disse que o acordo deveria proteger os EUA e seus aliados, mas permitiu que o Irã continuasse enriquecendo urânio.

“Se não fizermos nada, saberemos exatamente o que acontecerá em um curto período de tempo. O maior patrocinador estatal de terror do mundo estará à beira de adquirir as armas mais perigosas do mundo”, declarou Trump, que manteve desde o primeiro mandato bom relacionamento com Netanyahu.

Na ocasião, o presidente dos EUA não descartou um novo acordo com o Irã, afirmando que pretendia encontrar uma solução “real e duradoura” à ameaça nuclear.

Agora, em seu segundo mandato e na esteira da ofensiva de Israel, Trump voltou a pressionar o regime iraniano a aceitar novos termos.

“O Irã precisa fazer um acordo, antes que não sobre nada, e salvar o que um dia foi conhecido como o Império Persa. Chega de mortes, chega de destruição, apenas façam isso antes que seja tarde demais”, escreveu Trump na rede Truth Social, na sexta-feira, 13. Na terça, 17, passou a exigir “rendição incondicional”.

Tributo

David Horowitz morreu de câncer em 29 de abril de 2025, aos 86 anos, sem ter visto os ataques resultantes do cenário sobre o qual alertou em 2015, bem como seus desdobramentos políticos.

Mas fica aqui minha homenagem póstuma a um dos autores que trataram dos fatos e de seus potenciais efeitos, quando tudo o mais convidava ao marketing, à propaganda e à adulação.

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Comentários (2)

cin

18.06.2025 15:38

Voltando um pouco mais ao passado, por que será que os iranianos que historicamente nunca foram inimigos do povo judeu, se viram como palco da revolução islâmica em 1979? Teria sido por consequência do golpe de Estado promovido por Ingleses e americanos nos anos 1950, para depor o primeiro ministro Mossadegh e instalar em seu lugar o Xá Reza Pahlevi para que seus interesses na exploração do petróleo iraniano não fossem perturbados e continuassem protegidos? Para entender o que se passa hoje, assim como para se encontrar caminhos para se resolver problemas.


CLAUDIO NAVES

18.06.2025 13:06

Na verdade Obama é a esquerda queriam que o Irã tivesse a bomba !


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