O pior erro político de todos os tempos da última semana

07.07.2026

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O Antagonista

O pior erro político de todos os tempos da última semana

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 04.07.2026 11:11 comentários
Análise

O pior erro político de todos os tempos da última semana

Pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro vai se transformando numa lição de tudo o que não se deve fazer ao tentar ganhar uma eleição

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 04.07.2026 11:11 comentários 2
O pior erro político de todos os tempos da última semana
Foto: Divulgação/ PL Mulher

Os funcionários do PL Mulher homenagearam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro posando ao lado de sua versão de papelão (foto). Essa imagem entrará para a história como o símbolo de mais um dos erros em série cometidos pela família Bolsonaro na tentativa de retornar ao poder.

O descarte da agora ex-presidente do PL Mulher pela pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é mais um eloquente sinal da dificuldade que o senador terá para bater Lula nas urnas neste ano. E a tarefa nem parecia tão difícil assim até Jair Bolsonaro indicar o filho como seu sucessor, após ser preso por tentativa de golpe de Estado, no fim do ano passado.

Lula é impopular e seu governo o mantém vivo politicamente à base de 200 bilhões de reais em benesses eleitoreiras. Além disso, a América Latina vive hoje uma onda de mudança para governos de direita, mas o Brasil se arrisca a ficar de fora dessa tendência por causa dos Bolsonaros.

Leia mais: O PL Homem de Flávio Bolsonaro

Erros sequenciais

O escândalo do Banco Master, que se anunciava como trunfo bolsonarista para a campanha, acabou poluindo a pré-candidatura de Flávio, pelo patrocínio de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse.

Só essa relação já deveria ter sido o bastante para Flávio pensar duas vezes antes de se lançar à Presidência da República. E cada filho Bolsonaro tem seu próprio erro para assumir.

O ex-vereador Carlos Bolsonaro inventou de se candidatar ao Senado por Santa Catarina, dando a entender que sua vontade vale mais do que qualquer cálculo político-partidário, e bagunçou as articulações da direita em um estado no qual o bolsonarismo tem nadado de braçada.

Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal ao se autoexilar nos Estados Unidos. Desde fevereiro do ano passado, ele oscila entre o argumento de que tem influência sobre o governo Donald Trump e o oposto, de que não pode fazer nada diante das vontades do republicano, que joga com a imposição de tarifas com o mundo inteiro, inclusive o Brasil.

Flávio vai para os Estados Unidos mais uma vez tentar reduzir os danos, já que o Pix entrou na mira dos americanos, como vítima colateral da política protecionista do governo Trump.

Falta comando

O último erro foi protagonizado por Michelle, que desabafou em público contra o enteado mais velho após remoer por sete meses a forma como foi tratada ao tentar interferir nas alianças do PL no Ceará.

Os aliados de Flávio criticam o gênio forte da ex-primeira-dama, mas o responsável pelo projeto familiar é o senador, e faltou a ele sensibilidade, capacidade ou interesse para se entender com a madrasta, que vinha fazendo um bom trabalho à frente do PL Mulher.

Tudo piora quando se leva em conta que o pré-candidato do PL vem tentando melhorar sua imagem com o eleitorado feminino. A primeira pesquisa sobre a crise com Michelle indicou que a maior parte do eleitorado independente, determinante para a vitória, tomou o lado da ex-primeira-dama.

Lição

O fato é que a família Bolsonaro atua hoje para salvar a própria pele, e isso parece confundi-los.

Flávio foi escolhido como pré-candidato numa tentativa de manter a família no comando da direita ainda que ele venha a perder a eleição. Os Bolsonaros calculam que teriam uma nova chance em 2030, mas, até lá, Lula já poderá ter feito mais quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e as condições políticas podem ter se alterado sem o petista como adversário.

O consolo para os Bolsonaros é que, apesar de vir conseguindo melhorar a avaliação de seu governo, à base de muito gasto e das crises sequenciais dos adversários, Lula segue impopular.

O petista só permanece vivo politicamente porque foi presenteado por Bolsonaro com a pré-candidatura de Flávio, e é ele também que mantém vivas as esperanças do senador, cuja preparação para a eleição vai se transformando numa lição de tudo o que não se deve fazer.

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (2)

Luis Eduardo R. Caracik

04.07.2026 21:36

"vive hoje uma onda de mudança para governos de direita, mas o Brasil se arrisca a ficar de fora dessa tendência por causa dos Bolsonaros." Quer dizer que se o Brasil não optar pela extrema direita e a Trump estamos correndo riscos? Que riscos? Poderia explicar tanto os riscos quanto as vantagens do Brasil se alinhar a Trump, Milei e outros direitistas?


MARCOS

04.07.2026 12:17

GOSTEI DA FOTO DA REPORTAGEM: TODOS FAZENDO O CHIFRINHO DO DIABO.


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