O novo tarifaço e a falta de um projeto de país
Lula e Flávio Bolsonaro estão se digladiando há dois dias. Cada um tentando jogar para a o outro a responsabilidade sobre um eventual tarifaço
Lula e Flávio Bolsonaro estão se digladiando há dois dias. Cada um tentando jogar para a o outro a responsabilidade sobre um eventual tarifaço, hoje sob análise do governo de Donald Trump.
Cada um tem sua razão e sua falta de razão. Flávio afirma que Lula não tem interlocução com a Casa Branca; Lula afirma ser estranho o anúncio menos de uma semana após a reunião entre o filho do ex-presidente e o republicano.
Entre troca de golpes e de narrativas, algo fica à margem: a discussão séria sobre um real projeto de país.
Flávio, de um lado, tem demonstrado que pretende apenas manter vivo o legado do clã Bolsonaro. Jair, na cadeia, não pode ser candidato; Michelle, a esposa de Jair, foi rifada pelos filhos e por uma ala do PL; Eduardo está nos Estados Unidos; Carlos não tem cacife para assumir a função e Jair Renan começou na política agora. Resultado: sobrou para o Flávio.
Durante a pré-campanha, o mote de Flávio é ser apenas um ‘anti-Lula’. Até agora, ele não se mostrou um gestor, uma esperança, uma alternativa ao atraso.
Já Lula, todos conhecem. Lula minou a esquerda, minou uma alterativa no campo progressista. Lula é hegemônico e trabalhou diuturnamente para que ele seja a única alternativa da esquerda até a sua morte. Flávio Dino era essa opção, mas Lula fez questão de tirá-lo do meio do caminho indicando-o ao Supremo Tribunal Federal (STF). Uma estratégia fajuta e mesquinha.
Os dois disputam agora a narrativa de quem será responsabilizado por um eventual tarifaço. E os dois vão disputar a paternidade da interlocução com a Casa Branca caso Trump anuncie medidas mais brandas que as sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A grande verdade é que os dois não podem ser pais de uma criança que não ajudaram a gestar. O governo Trump tem seus próprios interesses e esse é o estilo de negociação do republicano: cobrar alto, negociar e pagar baixo. É irritantemente óbvio. Mas, enquanto nada for anunciado, essa estratégia servirá apenas para que tanto Flávio quanto Lula usem Trump para se alfinetarem.
E projeto de país que é bom? Nada.
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