Representante comercial dos EUA diz a Vieira estar aberto a dialogar sobre tarifas
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a aplicação de tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, conversou com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, nesta quarta-feira, 3, durante um breve encontro na plenária da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.
Greer se aproximou do ministro e disse que está aberto a continuar dialongando com o Brasil sobre a imposição de tarifas pelos EUA a produtos brasileiros importados. Mauro Vieira manifestou o interesse de intensificar o diálogo sobre o tema.
Na segunda-feira, 1º, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), liderado por Greer, propôs uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
A decisão é respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Os atos e políticas considerados prejudiciais aos EUA estão relacionados ao “comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.
O governo federal brasileiro reagiu na terça-feira, 2, à proposta. Em nota, o Executivo manifestou “indignação“ com a decisão e relembrou que pode utilizar a Lei de Reciprocidade para responder a situações de injustiça contra o Brasil.
“O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil”, inicia a nota do Planalto.
Já nesta quarta, o USTR decidiu que 60 economias, entre elas o Brasil, não possuem ou não aplicam proibições à importação de produtos feitos com trabalho forçado.
A partir do entendimento, foram propostas tarifas adicionais de 12,5% para 54 países. A lista inclui o Brasil, Argentina, Chile, China, Colômbia, Índia, Peru, Rússia, África do Sul, Inglaterra, Uruguai e Venezuela.
A medida fica em fase de consulta até julho. Depois desse prazo, os EUA decidirão se devem implementar as novas tarifas e em qual formato.
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