O destino do Brasil nas mãos de um evangélico
A pregação religiosa do ministro do STF André Mendonça deve passar pelo seu maior teste com a relatoria do escândalo do Banco Master
Jair Bolsonaro indicou André Mendonça (foto) para o Supremo Tribunal Federal (STF) como uma sinalização ao eleitorado evangélico, que é o que mais cresce no Brasil há anos.
Antes disso, na história recente desse STF hipertrofiado e protagonista, apenas a indicação de Joaquim Barbosa por Lula, feita em 2003, havia tido uma carga simbólica tão evidente, pois o então subprocurador do Rio de Janeiro foi escolhido por ser negro.
O petista não se arriscou a fazer esse tipo de gesto desde então, porque Barbosa relatou o julgamento do mensalão com mão de ferro e mandou para a cadeia a cúpula do PT, entre outros.
Desde então, Lula passou a indicar apenas pessoas de confiança, como seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e seu advogado-geral da União, Jorge Messias, que ainda aguarda para ver se consegue entrar após ter sido rejeitado uma vez.
Representante de Lula na Marcha para Jesus pela quarta vez neste ano, Messias era o favorito também de Mendonça para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso.
Há quem diga, inclusive, que a rejeição da indicação do AGU de Lula tem mais a ver com o receio de que o “terrivelmente evangélico” indicado por Bolsonaro ganhe um aliado no STF.
Tentações
Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), Mendonça prega semanalmente, e pelo menos um de seus sermões recentes foi interpretado no contexto de seu ofício como ministro do STF.
Em fevereiro, Mendonça alertou para a “tentação do poder político“.
“Nada mais legítimo querer ser ministro do Supremo. Nada mais legítimo do que isso. Agora, o diabo diz: ‘Eu vou te dar tudo isso, se prostrados vocês me adorarem’. A quem nós adoramos para estar onde nós estamos? Meu irmão e minha irmã, o poder político e institucional é uma bênção de Deus se guiado por Deus. Mas, quando nossos corações se colocam não segundo os princípios e os valores de Deus para agir pelo bem do povo, nós estamos nos curvando à tentação do diabo”, pregou o pastor, que agora relata o caso do Banco Master, após herdá-lo de um dos ministros do STF enredados nessa história, por ter feito negócio com o grupo de Daniel Vorcaro.
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Quando foi confrontado pelo decano do STF, Gilmar Mendes, no julgamento em que a Segunda Turma decidiu manter presos o pai e um primo do ex-banqueiro, Mendonça adotou um tom dramático, quase de mártir, ao começar a falar, recordando diálogo com o colega.
“Eu me recordo de uma conversa, ministro Gilmar, com Vossa Excelência, assim que estava para ser indicado para o Supremo. Vossa Excelência apontou que, para ser ministro do Supremo, é preciso ter coragem, e me lembro do que lhe respondi na ocasião: não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal”, contou Mendonça, que defendeu a investigação da Operação Compliance Zero contra as suspeitas lançadas por Gilmar por comparações com a Lava Jato.
Teste
Mendonça é interpretado como um representante de Bolsonaro no STF, por ter sido indicado pelo ex-presidente e por ter atuado como seu advogado-geral da União. Sua pretensa lealdade ainda terá muito tempo para ser testada, pois ele tem apenas 53 anos e poderá permanecer até os 75 no tribunal.
Mas o fato é que o ministro e pastor manifesta com bem mais frequência lealdade a Deus.
É claro que o discurso religioso não garante nada, e o Brasil está recheado de exemplos para duvidar de quem vive da religião, mas a pregação moral de Mendonça deve passar pelo seu maior teste com a relatoria do escândalo do Master.
O país jogou fora a oportunidade dada pela Operação Lava Jato, derrubada sob a alegação de que foi injusta com Lula. Talvez seja o caso de acreditar, agora, na possibilidade de uma intervenção divina.
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Comentários (1)
Marcos
22.06.2026 14:06CONHEÇO ALGUNS QUE SE CURVARAM AS ORDENS DO CAPETA.