“Até Judas estava compartilhando a mesa de Jesus”, diz Messias
Advogado-geral da União representou o governo Lula na Marcha para Jesus, em São Paulo, que teve como destaque político o estreante Flávio Bolsonaro
Advogado-geral da União, Jorge Messias (foto), representou mais uma vez o governo Lula na Marcha para Jesus, promovida nesta quinta-feira, 4, em São Paulo. A ausência do presidente é significativa, porque expõe mais uma vez a distância entre o petista e o eleitorado evangélico.
Messias postou em suas redes sociais o registro de uma ligação em que Lula fala com o apóstolo Estevam Hernandes, organizador da Marcha.
“Estive na 34ª Marcha para Jesus, em São Paulo. E, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marquei presença nesta, que é a minha quarta edição. Ao lado do apóstolo Estevam Hernandes, acompanhei a ligação e as palavras que o presidente fez questão de dizer em gratidão a este evento que é tão importante para o povo cristão. A minha presença, a pedido do presidente, teve um único propósito: louvar e engrandecer a Deus”, registrou Messias na postagem.
Na ligação, Lula justificou a ausência dizendo que não participa de nada religioso em época de eleição porque não quer passar a ideia de que está tentando “tirar proveito político de uma coisa sagrada”. No ano passado, quando não tinha eleição, ele também não foi à Marcha.
Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estreou na Marcha neste ano e fez um breve discurso, no qual disse que há uma “guerra espiritual” no Brasil.
“Para este ano, eu vim fazer a Marcha raiz para louvar e adorar o nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Estou muito feliz. Maior evento gospel do mundo. Hoje é um dia profético. Vim aqui renovar a minha fé, renovar a minha esperança, renovar os meus sonhos com Deus. Agradecer ao povo de Deus também por toda a força. Agradecer a você, ao apóstolo Estevam, à bispa Sônia, a toda a igreja, a todo o povo de Deus que está reunido hoje. Mandar um grande beijo, um abraço para esse povo e dizer que nós vamos ficar juntos aqui até o final, louvando e adorando o nome do nosso Jesus”, disse Messias em entrevista ao canal de YouTube que transmitiu a Marcha.
Questionado sobre a “importância de neste dia nós abandonarmos qualquer polarização e nos unirmos como aqueles que amam a Jesus Cristo”, o advogado-geral da União de Lula, que teve a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo STF, usou um exemplo bíblico.
“A mesa de Jesus, ela é para judeus e para gentios. A mesa de Jesus é para Pedro, ela é para Tiago, ela é para Judas. Até Judas estava compartilhando a mesa de Jesus. Jesus não fez segmentação em sua mesa. Nós estamos aqui com um único propósito: louvar e adorar o nome do nosso Senhor Jesus. Então, sem segregação, com amor, com coração leve, com muito espírito de louvor e adoração, esse é o nosso maior propósito”, respondeu Messias.
O ministro do STF André Mendonça, que atuou como cabo eleitoral da indicação de Messias ao tribunal, também compareceu à Marcha, e se limitou a mensagens religiosas em sua entrevista.
Pedido de milagre
A entrevistadora mostrou a Messias no fim da conversa um papel em que os participantes da Marcha escrevem seus pedidos de milagre.
Lula respondeu à rejeição da indicação de Messias para o STF pelo Senado prometendo indicá-lo mais uma vez, mesmo diante de um cenário de aprovação muito improvável.
Talvez um pedido de milagre ajude.
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Comentários (1)
Maria de Fatima Carvalho Gabriel
04.06.2026 15:32Senhores, pasmem. Como pode ser tão hipócrita? Será que ele pensa que todo mundo é néscio, tapado que não se lembra de suas falas, despachos, etc?