O abraço dela
Aos pais de meninas, minha empírica solidariedade
Acordo tarde. Cara inchada. Corpo dolorido pela festa de ontem e pelas horas excessivas na cama. Passos curtos, claudicantes, atento desço a escada.
Abaixo, na base, a visão do paraíso: ela. Parada, me olhando. Sorriso discreto: “Até que enfim (acordou).”
Vou ao seu encontro, e o melhor momento do dia acontece.
Seu abraço é como estar no Nirvana. O mundo poderia acabar ali, e tudo estaria em paz.
Era assim quando naniquinha. Era assim quando maiorzinha. É assim agora: adulta, bela, mulher.
Amo tanto e de tanto amar
Claro que amo muitas coisas e outras pessoas também. Minha esposa, meus amigos, meus irmãos, meu trabalho, gol do Galo.
Amo Coca-Cola e Bis. Picanha e torresmo. O ócio, então, nem se fala.
E viajar, ler, papear. Comer croissant, tomando cappuccino enquanto escrevo.
Mas o abraço dessa menina… Meu Deus!
Schopenhauer de domingo
Passar meus dedos entre seus pesados fios de cabelo – pretos como a noite mais escura -, olhar em seus olhos a cinco centímetros dos meus, dar um selinho no seu nariz e outro, em seus lábios, enquanto nossos corpos permanecem juntinhos, agarradinhos… Juro: me faz o sujeito mais realizado do mundo.
O pessimismo e o olhar negativo nunca me abandonam. Psicológicos, analistas, psiquiatras, terapeutas de todas as linhas e correntes já desistiram. Eu também.
A vida real – suas dores, seus desafios e sua implacável finitude – sempre me alerta: “Aproveite enquanto é tempo.”
Amar alguém com tanta intensidade é muito bom. Mas dói um bocado.
Aos pais de meninas, minha empírica solidariedade.
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Comentários (2)
ale
05.05.2025 09:09Lindo artigo, Ricardo, me levou às lágrimas! Você toca o coração das pessoas de uma forma que não se vê em mídia de informação diária.
Ariadne
04.05.2025 19:02Que lindo...