Morgan Stanley retira recomendação de compra e agrava pressão sobre Argentina
Morgan Stanley encerra recomendação de compra de ativos argentinos após derrota de Milei. Mercado e peso caem
Na esteira do contundente resultado das eleições na província de Buenos Aires ontem, 7 de setembro, o banco Morgan Stanley reavaliou abruptamente sua perspectiva sobre ativos argentinos, informa a Bloomberg Línea.
A instituição encerrou, com efeito imediato, sua recomendação de compra, retirando sua posição favorável, mesmo diante de níveis atualmente mais baixos de valuation, e passou a projetar um cenário negativo.
Nesse quadro, haveria potencial perda de até oito pontos nos preços médios dos títulos, estimados agora em torno de 56, especialmente no segmento de curto prazo, devido à aceleração das amortizações.
A razão dessa mudança, um grande revés para Milei, que convocou uma reunião em seu gabinete hoje para discutir a derrota eleitoral, seria o abalo político dissolveu a confiança na continuidade das reformas econômicas.
O resultado do pleito aumentou a incerteza sobre fontes de financiamento externo e obrigou o Banco Central a adotar postura monetária ainda mais rigorosa.
O governo parece empenhado em manter a estabilidade cambial até as eleições legislativas de 26 de outubro de 2025, com intervenções que incluem venda de dólares pelo banco central argentino e eventual ação do Tesouro.
Contrastando, apenas dias antes, Morgan Stanley indicava uma postura mais positiva, estimando que os títulos públicos em dólares da Argentina poderiam descer até o fim do ano, o que representaria um ganho considerável de até 11 pontos percentuais, reabrindo o país ao mercado global.
Na abertura do mercado dessa segunda-feira, os títulos soberanos argentinos exibiram retração generalizada, os papéis em dólares com vencimento em 2035 perderam mais de seis centavos e passaram a ser negociados a 55,37 centavos, enquanto o rendimento atingiu 12,8%, refletindo o aumento da aversão ao risco dos investidores.
O peso caiu 7%, chegando à faixa superior de sua banda de câmbio
Nesse cenário, ao retirar sua recomendação, Morgan Stanley sinaliza que em meio ao efervescente terreno eleitoral, o risco de retrocesso político e econômico dilui as possibilidades de atratividade que existiam poucos dias antes e impõe cautela a investidores.
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Comentários (2)
Fabio B
09.09.2025 08:44A America latina está condenada mesmo?
Annie 40
08.09.2025 11:28Argentino nao aprende nunca. Sempre coloca os populistas incompetentes de volta. igual aqui tambem