Lula também perdeu
Petista saiu muito menor do que entrou nesta eleição, e nem seu inédito quarto mandato presidencial será capaz de apagar isso
Os mais pragmáticos dirão que o que importa é vencer, e não estão de todo errados. Mas a forma como se ganha uma eleição é determinante para a história do governo que se seguirá a ela.
Lula termina seu terceiro mandato com alta desaprovação, apesar de ter empenhado o futuro do país como nunca antes se fez, só para se reeleger. O truque do segundo mandato, dos 80% de aprovação, não deu certo desta vez, mesmo com a ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF).
O prenúncio do que vem em seu quarto mandato foi sentido nesta semana na bolsa de valores de São Paulo, de onde “cerca de 1 trilhão [de reais] foi embora e não voltou”, como resumiu o economista Gustavo Franco, um dos criadores do Plano Real, que também presidiu o Banco Central.
É claro que isso ocorreu também pela reversão de expectativas, e é possível classificar como ingenuidade a ideia de que um governo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria muito diferente do ponto de vista econômico, principalmente pela forma como o senador se submeteu ao discurso do adversário.
E o questionamento atrapalhado do processo eleitoral pelo derrotado só ajuda Lula.
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Justiça poética
A derrota dos lulistas no primeiro turno, com o avanço da oposição no Congresso Nacional, faz parte da história desta eleição. Apenas sete dos candidatos eleitos para comandar governos estaduais concorreram ao lado de Lula, enquanto 16 apoiaram Flávio, e outros quatro se declararam neutros.
Para tentar reduzir os danos, a campanha de Lula apelou para mentiras e tumulto numa votação que terminou duas horas depois do previsto, porque um ministro do STF que foi advogado pessoal do presidente resolveu fazer parte da confusão.
O fato é que o custo da reeleição de Lula será cobrado nos próximos anos. São os brasileiros que irão pagá-lo, mas a justiça poética desta eleição é que será o petista a lidar com as consequências disso.
Menor
Lula concorreu ao terceiro mandato para tentar limpar sua biografia após ser preso. Não conseguiu e partiu para o quarto mandato na expectativa de uma última chance de fazê-lo, mas teve de se arrastar na lama com seus aliados do STF para ganhar de um adversário frágil, cheio de defeitos.
O resultado disso é uma razoável desconfiança sobre o processo eleitoral, dentro e fora do país, e uma perspectiva péssima para o próximo governo, tanto do ponto de vista econômico quanto institucional, além de moral.
Lula, que se submeteu a um deputado federal que se orgulha de mentir (foto), saiu muito menor do que entrou nesta eleição, e nem seu inédito quarto mandato presidencial será capaz de apagar isso.
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