Lula e Bolsonaro nas cordas
Esse é o cenário dos dois titãs da política brasileira: um inelegível, o outro impopular. Uma oportunidade se apresenta ao Brasil
Na tentativa de se defender da denúncia formal por golpe de Estado, entre outros crimes, Jair Bolsonaro publicou uma mensagem na manhã desta quinta-feira, 20, para dizer que “Lula está nas cordas”. É verdade, mas o próprio Bolsonaro também está contra as cordas, no corner oposto.
“Toda vez que Lula está nas cordas (sem picanha, sem cervejinha, sem chicória, sem café, sem ovos, monitoramento do Pix, escândalos com ministros, gastos estratosféricos sem responsabilidade e o povo pagando aumentos exorbitantes de impostos sem o mínimo retorno), coincidentemente muitas coisas acontecem, sempre mirando o outro lado!”, reclamou Bolsonaro.
As “muitas coisas” que “acontecem” e estariam “mirando o outro lado” não estão acontecendo apenas agora, contudo. Bolsonaro é alvo de investigação por tentativa de golpe de Estado, entre outras, há anos, desde que deixou o próprio governo.
As apurações da Polícia Federal levaram a indícios de que houve uma trama para que Bolsonaro permanecesse no poder sem ser reeleito. É verdade que o processo não foi bem conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e é nisso que se escoram agora os defensores do ex-presidente.
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Venezuela?
Bolsonaro chegou a comparar o Brasil à Venezuela e à Nicarágua:
“O mundo está atento ao que se passa no Brasil. O truque de acusar líderes da oposição democrática de tramar golpes não é algo novo: todo regime autoritário, em sua ânsia pelo poder, precisa fabricar inimigos internos para justificar perseguições, censuras e prisões arbitrárias.
– É assim na Venezuela, onde Chávez e Maduro acusavam oposicionistas de golpistas. É assim na Nicarágua, em Cuba e na Bolívia. É assim em todo o mundo. A cartilha é conhecida: fabricam acusações vagas, se dizem preocupados com a democracia ou com a soberania, e perseguem opositores, silenciam vozes dissidentes e concentram poder.”
É um discurso sinuoso, mas eficiente, que se aproveita das contradições de um STF que condena os vândalos do 8 de janeiro de 2023 a 17 anos de prisão ao mesmo tempo que anula condenações por corrupção de réus confessos ligados ao atual governo — e quem puxou a fila das anulações foi o atual presidente da República.
Um inelegível, o outro impopular
Lula também se escora em Bolsonaro desde a campanha eleitoral de 2022. Evitar que o adversário fosse reeleito foi sua principal plataforma de campanha, com a artificial “frente ampla”, e esse segue sendo seu único argumento para comandar o Palácio do Planalto, porque o governo simplesmente não mostrou a que veio, e está no início de seu terceiro ano.
O petista de fato está nas cordas, e precisa de Bolsonaro para sair delas. O mesmo se aplica ao ex-presidente. Hoje, um depende do outro mais do que nunca. Caso Bolsonaro seja mesmo preso e não possa concorrer em 2026, Lula perderá automaticamente a alegada importância para a democracia.
Ao mesmo tempo, caso Lula viesse a ser alvo de um processo de impeachment que encurtasse seu período no poder, Bolsonaro perderia força como alternativa, o que abriria caminho para outras possibilidades à direita. Não é por isso o protesto por “fora Lula” apenas em 2026?
Esse é o cenário dos titãs da política brasileira no momento: um inelegível, o outro impopular. E cada um chegou aí pelos próprios deméritos. Uma oportunidade se apresenta ao Brasil.
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Comentários (2)
Luiz Filho
23.02.2025 13:05Os 2 valem a mesma merda , mas lideram este Brasil amaldiçoado
Ita
20.02.2025 17:56Arre! vamos nos livrar dessas duas "encrencas".