Lula brinca com o tarifaço
Não há, no mundo, um líder tão irresponsável quanto o petista na reação às tarifas adicionais impostas por Donald Trump, e quem paga é o Brasil
Já era ruim o bastante que Lula (à direita na foto) se recuse a buscar Donald Trump para negociar o tarifaço, como fazem todos seus colegas do alternativo Brics. Mas a reação do Brasil à tarifa adicional de 50% piorou ainda mais com a estratégia do governo de aproveitar o ensejo para ampliar os gastos públicos de forma irresponsável.
Tentar amortecer o impacto do tarifaço para a economia brasileira é uma medida óbvia, mas, nas mãos de um governo perdulário como o de Lula, a iniciativa se transforma quase que naturalmente numa desculpa para distribuir créditos localizados e esgarçar mais uma vez a meta fiscal.
O Palácio do Planalto pretende tirar da meta fiscal 9,5 bilhões de reais para o pacote contra o tarifaço. A medida, já usada por ocasião de incêndios florestais, escândalo do INSS e chuvas no Rio Grande do Sul, foi anunciada como extraordinária, mas a irresponsabilidade fiscal é ordinária no governo petista, e é por isso que não há qualquer espaço no Orçamento para emergências como essa.
“Contabilidade criativa”
A previsão de tolerância de 0,25% do PIB para a meta fiscal de déficit zero existe exatamente para comportar imprevistos como o causado pelo tarifaço, mas o governo apela desde seu início para subterfúgios na esperança de convencer o país de que preza pela responsabilidade fiscal, e esse espaço para descumprir a meta já estava comprometido há tempos.
A forma obscura como foram apresentados os planos do governo — aliás, como são apresentados todos os planos econômicos do governo Lula — levou Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, a falar em “contabilidade criativa”.
Ruim para o Brasil, mas bom — por enquanto — para Lula, que vê a popularidade se recuperar em meio aos desafios públicos feitos a Trump.
O presidente americano amenizou o impacto de seu tarifaço no Brasil, excluindo produtos do aumento de tarifa, o que parece ter deixando o petista ainda mais confortável para lidar de forma irresponsável com a questão — até o ponto em que isso não lhe seja mais vantajoso.
O fato é que não há, no mundo, um líder tão irresponsável quanto Lula na reação às tarifas adicionais impostas por Trump.
Os lulistas podem argumentar, ainda mais após a ofensiva americana contra o Mais Médicos, que a situação do presidente petista é mais difícil, por envolver a família Bolsonaro, mas isso não autoriza Lula a pensar apenas em si quando lida com um problema que afeta todos os brasileiros.
Leia mais: Os métodos de lulismo, alexandrismo e bolsonarismo
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Comentários (3)
Andre Luis Dos Santos
14.08.2025 20:42Estão certos os Estados Unidos com relação a Russia, que até hoje não engoliu o fim da União Soviética, assim como o PT e essa esquerdalha nojenta no Brasil e no mundo. Vivem falando em democracia e não condenam o que se passa na Russia, China, Cuba, Venezuela, etc. CANALHAS! A Russia representa um perigo para o ocidente democrático e o Brasil deveria deixar de se alinhar a essa escória.
Mauro Luiz Ribeiro de Souza
14.08.2025 18:10Divirjo da posição adotada pelo presidente Lula antes e após o aumento das tarifas, embora reconheça que não há possibilidade de contato com Donald Trump. Ressalto que o tratamento dado ao presidente da África do Sul, ao presidente da Ucrânia e à presidente da Suíça — que sequer foi recebida, realizando uma viagem aos Estados Unidos sem resultado concreto — evidencia diferenças nas relações diplomáticas. Há uma citação de autoria desconhecida com a qual concordo: "Um rei somente se reúne com outro rei quando é para apertar as mãos."
Luis Eduardo Rezende Caracik
14.08.2025 12:02Parece que a radicalização chegou ao Antagonista. Estão indo longe demais ao dizer que Lula está lidando com o tarifaço de forma irresponsável. Pelo que vejo na imprensa mundial, as posições que o Brasil tem tomado estão sendo elogiadas em todo o mundo. Outra coisa, os Estados Unidos há décadas estimulam uma russofobia desmesurada. Estudem história.