Há alternativas a Bolsonaro
Ao contrário de Lula em 2018, o ex-presidente se encaminha para a cadeia rodeado por alternativas, que enfraquecem sua influência em 2026
Assim como ocorreu com Lula em 2018, Jair Bolsonaro se encaminha para a cadeia com força o bastante para influenciar na próxima eleição presidencial. Mas com uma diferença capital.
Quando Lula foi preso por corrupção, não havia uma única alternativa à esquerda com tamanho para desafiar seu prestígio eleitoral. Ele fez questão de garantir que isso ocorreria, aprisionando a esquerda a ponto de criar uma candidata presidencial em laboratório com prazo de validade.
O hoje ministro da Fazenda Fernando Haddad disputou a eleição de 2018 como avatar (poste) de Lula, e perdeu a corrida para Bolsonaro no segundo turno.
Bolsonaro sinaliza a mesma estratégia de Lula: tenta se manter vivo politicamente sustentando uma candidatura presidencial impossível, na esperança de colher os frutos em algum momento, como ocorreu com o petista.
Mas, ao contrário do que ocorreu em 2018, hoje há uma legião de governadores bem avaliados na fila para substituir, à direita, o ex-presidente condenado. Apesar de tentar, Bolsonaro não tem condição, após a condenação, de amarrar a direita da mesma forma que Lula fez com a esquerda.
Queda de apoio
Nenhuma dessas alternativas tem o mesmo prestígio nacional de Bolsonaro, obviamente. Mas esse prestígio vem diminuindo desde que começaram as investigações sobre tentativa de golpe de Estado, que culminaram na condenação a 27 anos e três meses de prisão.
A última pesquisa Quaest indicou que foi de 31% para 46% entre os “bolsonaristas” a proporção daqueles que defendem uma candidatura alternativa a Bolsonaro, 15 pontos percentuais de diferença.
Quando se trata da direita não bolsonarista, a proporção dos que preferem um outro candidato subiu para 74% — eram 53% em agosto, uma expressiva diferença de 21 pontos.
Fila de governadores
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), já afirmou que pretende conceder uma anistia a Bolsonaro caso seja eleito presidente, mas não foi à casa do ex-presidente, que está em prisão domiciliar e precisa solicitar a Alexandre de Moraes permissão para se encontrar com aliados.
Outro governador pré-candidato, Romeu Zema (Novo) frequentou atos em defesa de anistia a Bolsonaro, mas também não foi pagar pedágio para o ex-presidente no condomínio Solar de Brasília.
Ratinho Jr., que tenta ganhar espaço na corrida presidencial enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) se retrai após fazer gesto brusco em direção a Bolsonaro e contra o STF, é outro que fala em pacificação, mas mantém distância regulamentar do ex-presidente.
Sem anistia
Enquanto isso, os filhos de Bolsonaro tentam manter viva na marra a esperança de anistia. O tema vai deixando de ser a prioridade que parecia na Câmara, após a desastrada aprovação da PEC da Blindagem, que foi sepultada no Senado.
Hoje, a grande esperança bolsonarista é o surgimento de algum sinal do governo americano que possa servir de barganha, como ocorreu durante a aplicação da Lei Magnitsky a Moraes e sua esposa, e a revogação dos vistos americanos de ministros do STF.
Mas Donald Trump fez um movimento que sugeriu possibilidade de entendimento com Lula, na Assembleia Geral da ONU, e, desde então, os bolsonaristas tentam traduzir o gesto como parte de estratégia para prejudicar o petista, na esperança de manter o clima de ameaça.
Sem trunfos com os quais negociar, os bolsonaristas podem se ver forçados a adiar os esforços pela anistia, sob o risco de assistir também ao valor eleitoral de Bolsonaro ir diminuindo progressivamente enquanto eles tentam o que parece impossível.
Leia mais: A força está com Ratinho Jr.?
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Comentários (7)
Maglu Oliveira
03.10.2025 09:26Bolsonaro não perdeu só por um punhado de votos, perdeu pq gente como eu, que votou nele em 2018 para ñ deixar Lula voltar, viu o traste que ele era/é, que só trocamos 6 por meia-dúzia. Apoio e assino embaixo do que Aldo Ferreira de Moraes Araujo escreveu, vou adotar o BOI (afinal boi é gado): bitolados, oportunistas e ignorantes.
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
02.10.2025 18:50Se o brasileiro soubesse votar Bolsonaro jamais teria sido uma alternativa para a presidência da república e a carreira política de Lula teria morrido no Mensalão, mas o que move eleições no Brasil é o que está na sigla que criei: BOI. Bitolados, Oportunistas e Ignorantes.
Angelo Sanchez
02.10.2025 14:14Prender Bolsonaro, é acender o estopim do povo nas ruas, não podemos esquecer que aproximadamente 50% dos votos foram para Bolsonaro, que perdeu por apenas um punhado de votos.
FRANCISCO JUNIOR
01.10.2025 22:29Até Tiririca é uma alternativa melhor do que Bolsonaro. E do que Lula.
Emerson
01.10.2025 18:58"prestigio nacional " , isso é desolante ......
Um_velho_na_janela
01.10.2025 17:43Comentar o que? Nomes da direita e o Brasil que se lasque? Torcer pela ressureição do Lula e o país que acabe de quebrar? Como não temos um núcleo popular com força e bala para impor um sistema revisionista e renovador à força, única saída seria a elite econômica, acadêmica e militar, hoje ausente e não comprometida com polarizações aventureiras com apelido de ideológicas, gerar ideias se reconstrução e renovação constitucional, institucional e legal em pró de um progresso econômico, social e consequentemente civilizatório.
Eliane ☆
01.10.2025 16:06Sim,que tenhamos uma alternativa que não seja Lula, nem Bolsonaro. Tarcísio se afaste desse "traste moribundo","pelamor "...