Direita implora por candidato
Pesquisa Genial/Quaest indica que cresceu significativamente até entre os bolsonaristas a torcida por uma candidatura alternativa a Bolsonaro
Enquanto a família Bolsonaro ainda tenta colocar de pé uma candidatura presidencial, a pesquisa Genial/Quaest sobre as perspectivas eleitorais divulgada nesta quinta-feira, 18, aponta um crescimento acentuado na rejeição a uma tentativa do ex-presidente de concorrer em 2026.
Hoje, depois da condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, 76% dos brasileiros acham que Jair Bolsonaro deveria abrir mão de tentar a disputa pelo Palácio do Planalto e apoiar outro candidato, bem mais do que os 65% de agosto, diferença de 11 pontos percentuais.
O recorte ideológico da pesquisa mostra um crescimento ainda maior da rejeição a uma nova candidatura de Bolsonaro entre quem se diz bolsonarista ou de direita não bolsonarista.
No caso dos apoiadores do ex-presidente, foi de 31% para 46% a proporção daqueles que defendem uma candidatura alternativa a Bolsonaro, 15 pontos percentuais de diferença.
Quando se trata da direita não bolsonarista, a proporção dos que preferem um outro candidato sobe para 74% — eram 53% em agosto, uma diferença de 21 pontos.

Tarcísio
Tarcísio de Freitas (Republicanos) segue como o preferido para se candidatar no lugar de Bolsonaro, por 15% dos 2.004 consultados de 12 a 14 de setembro. Em agosto, eram 10%.
O ex-ministro da Infraestrutura vai se equilibrando entre o favoritismo presidencial, que lhe cobra gestos a favor de Bolsonaro, e os deveres como governador de São Paulo, que lhe chamaram nesta semana, quando o crime organizado executou um ex-delegado-geral da Polícia Civil do estado.
Tarcísio cancelou na segunda-feira, 15, a visita que faria a Brasília, onde foi autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a visitar Bolsonaro em 29 de setembro, em meios aos esforços por uma anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado.
Na quarta-feira, 17, o governador voltou a afirmar que não pretende se candidatar a presidente da República — em sua atual condição, dizer isso faz parte do roteiro caso ele queira mesmo se candidatar. A candidatura da direita em 2026 segue nas mãos de Bolsonaro, mesmo condenado.
Desgaste
Outra pesquisa, divulgada nesta semana pela AtlasIntel, indicou que Tarcísio se desgastou nos esforços para negociar anistia para Bolsonaro, cujo ápice foi o discurso na avenida Paulista no 7 de Setembro, no qual tratou Moraes como “tirano”.
Infelizmente para o governador, atuar pela anistia não é uma opção, já que ele precisa ganhar a confiança da família Bolsonaro para garantir seu apoio — e a mesma pesquisa indica que os eleitores do ex-presidente não consideram Tarcísio tão leal assim ao responsável por elegê-lo em 2022.
Lula ajudou Bolsonaro a se eleger presidente em 2018 ao sustentar sua candidatura presidencial de dentro da cadeia até o limite, na tentativa de se manter politicamente vivo.
O PT perdeu a eleição naquele ano, mas a estratégia do petista foi recompensada com sua soltura, para proteger o mundo político da Operação Lava Jato,
Ao sustentar a perspectiva de candidatura presidencial por muito tempo, Bolsonaro pode acabar conseguindo o mesmo que Lula e se livrar da Justiça em algum momento. Mas, a julgar pelo que ocorreu em 2018, isso ocorrerá ao custo de beneficiar seus adversários de esquerda em 2026.
Leia mais: Tarcísio ainda tem um estado para governar
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Comentários (1)
Fabio B
18.09.2025 13:04Só deixem eles conhecerem o Renan Santos.