Funk da Pilili exorciza mascote do TSE
A melhor forma de a Justiça Eleitoral afastar as desconfianças é ser o mais discreta possível, ao contrário do que ocorreu em 2022
A Inteligência Artificial fez mais uma vítima na semana que passou: Pilili, a mascote lançada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para celebrar os 30 anos da urna eletrônica, foi exorcizada em um vídeo do perfil Canta Direita com uma paródia do funk Atoladinha, do DJ Marlboro.
Na animação, Pilili, que faz o L de Lula (foto), e um Bob Esponja vestido de camiseta do Flamengo e empunhando um fuzil e um cigarro de maconha dançam em cima de um palco e cantam versos como “Pilili, pilili, pilili, alguém votou por mim”, “não boto a mão no fogo na hora de digitar”, “vai imprimir pra conferência?, não, nem auditar”. “é pela democracia” e “faltando o Nordeste ainda”.
A falta de possibilidade de auditoria é uma mentira, a impressão “para conferência” não resolveria a questão e a desconfiança sobre o voto ser alterado ou não contabilizado nunca foi comprovada.
A menção ao Nordeste é baseada no fato de que os votos da região, cativa dos petistas há décadas, entram na conta na reta final da apuração, o que mudou a perspectiva da contagem principalmente na eleição de 2014, quando Dilma Rousseff “virou” na reta final contra Aécio Neves.
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Teoria conspiratória
A teoria conspiratória não faz sentido: por que aqueles que estão alegadamente alterando o resultado simulariam essa virada? Por que simplesmente não indicam que o candidato pelo qual atuam ganha do início ao fim? E por que não fazem para os petistas uma bancada confortável no Congresso?
A velocidade diferente na apuração também ocorre nos Estados Unidos, onde o voto não é eletrônico e, mesmo assim, as suspeitas sobre manipulação da eleição florescem da mesma forma que no Brasil.
As desconfianças, alimentadas como estratégia de campanha pela família Bolsonaro, demandam, de fato, uma reação. Mas as autoridades brasileiras precisam calcular a melhor forma de fazer isso.
Um bom começo
Um bom começo seria não interferir no processo eleitoral mais do que o mínimo necessário.
O TSE foi protagonista da eleição de 2022, pelas mãos de Alexandre de Moraes, e as hordas de bolsonaristas que acamparam em frente a quartéis após o anúncio da vitória de Lula expressavam um sentimento de desconfiança que foi alimentado, também, pela condução daquele processo.
O TSE é como um árbitro de futebol: seu desempenho também deve ser medido pela capacidade de não se destacar como mediador da disputa. Quanto menos aparecer, melhor para o processo eleitoral.
A Justiça Eleitoral resolveu atuar como mediadora do que pode ou não ser publicado pelos candidatos, e seu desafio deve aumentar neste ano, com a facilidade de criar conteúdos por meio de IA. Essa missão demanda não apenas imparcialidade, mas a aparência de isenção.
Quer dizer, ou a mediação do TSE é encarada como justa, ou jogará contra a atuação do juiz.
O processo eleitoral de 2022 soou viciado porque Moraes já lidava com as alegadas mentiras e ataques do bolsonarismo no inquérito das fake news — a ponto de encampar a censura de um documentário apenas pelo título —, e as mentiras e ataques do petismo não estavam no seu radar.
Espera-se que a mudança de comando no TSE neste ano diminua o protagonismo do tribunal na eleição, mas os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terão de colaborar com isso, sob o risco de a culpa acabar recaindo de novo sobre a urna, que não será poupada por ser bonitinha.
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