Fraudes no INSS: troca de ministro ameniza crise, mas não afasta fantasma
Investigadores da Polícia Federal ainda apuram se cúpula do Ministério da Previdência tinha ciência ou não de descontos ilegais em aposentadoria e pensões
A troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz no Ministério da Previdência ameniza a crise provocada pelas investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre os descontos ilegais de aposentadorias e pensões. Mas não afasta por completo o maior temor do governo Lula do momento: o de ser tachado de ‘ladrão de aposentados’.
Há uma questão importante a ser dita: Queiroz, parlamentar de longa data, e desde 1992 filiado ao PDT, é braço-direito de Lupi. Logo, o governo Lula trocou ‘seis por meia dúzia’. E Lupi deixou a pasta mais pelo incômodo de ter seu ministério esvaziado do que, necessariamente, para se resguardar de algum eventual desdobramento das investigações da PF e CGU.
Para o Queiroz do governo Lula, é um momento importante. Ex-parlamentar, ele não conseguiu se reeleger em 2022 e estava ali, sob o manto de Lupi, exercendo a função de Secretário-Executivo da pasta, como um prêmio de consolação aos bons serviços prestados historicamente ao PDT.
O novo ministro não vai se incomodar de ser um ‘pato manco’ dentro da pasta. Pelo contrário. Wolney nunca foi um parlamentar de primeira linha; chegou a ser líder do PDT durante a pandemia de Covid, mas nunca se destacou como um dos maiores articuladores do Congresso Nacional. Para ele, um ministério no colo é um prêmio e tanto.
Pragmatismo do PT nas fraudes do INSS
Para o governo Lula, no entanto, prevaleceu o pragmatismo. Com receio de perder 17 deputados do PDT na Câmara, Lula aceitou fazer apenas uma substituição estética na pasta. E isso pode ter sido um erro de grandes proporções ao petista.
As investigações da Polícia Federal indicam que a cúpula do INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social – ignorou os alertas dos órgãos de controle sobre os descontos de aposentadoria de forma deliberada. Isso é público e notório. O que ainda permeia a cabeça dos investigadores é: quem deu a ordem para essa postura? Na mente dos investigadores, Alessandro Stefanuto – ex-presidente do INSS – não tomaria essa postura sozinho. Sem ao menos consultar algum superior: ou seja, a cúpula do Ministério da Previdência.
Para investigadores consultados por esse portal, se Stefanuto optar por, no futuro, falar o que sabe sobre esse esquema, os efeitos deletérios ao governo Lula poderiam ser semelhantes – ou até piores – que os provocados pela operação Lava Jato.
A verdade é que, por mais que o Planalto insista em terceirizar a responsabilidade pelo desconto ilegal de aposentadorias e pensões ao governo Jair Bolsonaro, a pecha de ‘ladrão de velhinhos’ tem a chance – enorme – de cair no colo de Lula. E isso seria mortal para as pretensões políticas do petista em 2026.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Marcia
06.05.2025 11:33Alguém pode acreditar que o Secretário Executivo é menos culpado que o Ministro? Não tinha conhecimento?
Joaquim Arino Durán
05.05.2025 16:10Trocou o que?
Eduardo
05.05.2025 15:12Amenizou? Trocaram 6 por meia dúzia... Não mudou nada.