PL pede afastamento do novo ministro da Previdência
Wolney Queiroz também recebeu alertas sobre descontos ilegais em aposentadorias, mas não adotou providências
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), ingressou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo o afastamento do novo ministro da Previdência, Wolney Queiroz. (foto)
Queiroz estava na reunião do Conselho Nacional do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em que a conselheira Tonia Galleti fez alertas sobre descontos de mensalidades dos aposentados. Queiroz, na época, era o número dois da pasta.
Na representação, Cavalcante afirma que a nomeação de Queiroz “não apenas fragiliza a necessária apuração isenta dos fatos, mas também configura um atentado aos princípios da moralidade e da probidade administrativa”.
“Malgrado a gravidade das informações e o seu dever funcional de zelar pela integridade do sistema previdenciário e pelo erário, o Sr. Wolney Queiroz quedou-se inerte, abstendo-se de adotar qualquer medida administrativa eficaz para a imediata cessação das fraudes, a responsabilização dos envolvidos e a comunicação aos órgãos de controle competentes”, diz o líder na representação.
“Essa omissão deliberada, por parte de um agente público com poder decisório e o dever de agir, revela, prima facie, conduta dolosa e negligência grave no cumprimento de suas atribuições ou ainda o que levanta indícios de conivência institucional e desvio de finalidade”, acrescentou.
Escândalo do INSS
A Polícia Federal calcula que, entre 2019 e 2024, foram descontados R$ 6,3 bilhões dos benefícios do INSS. O total de fraudes ainda está em apuração. As investigações miram servidores do instituto e entidades conveniadas, como o próprio Sindnapi.
Após a revelação do esquema, Lupi pediu demissão nesta sexta-feira, 2, e foi substituído por Wolney Queiroz, nomeado pelo presidente Lula.
A escolha mantém o comando da Previdência nas mãos do PDT, que já esteve à frente da pasta nas gestões anteriores de Lula e Dilma Rousseff.
Quem é Wolney Queiroz?
Natural de Caruaru (PE), Wolney Queiroz tem 53 anos e está no PDT desde os 19. Foi vereador em sua cidade natal e teve seis mandatos como deputado federal entre 1995 e 2022, incluindo uma passagem como suplente.
Em 2022, não conseguiu se reeleger, mas assumiu a Secretaria-Executiva da Previdência no governo Lula. Na Câmara, presidiu as comissões de Educação, Cultura, Trabalho e Administração Pública, e foi líder da oposição a Jair Bolsonaro, comandando um bloco que incluía PT, PSOL, Rede e PCdoB.
Alinhado ao PT em votações como as contra o impeachment de Dilma Rousseff e a reforma da Previdência, Queiroz teve atritos dentro do PDT por apoiar Lula já no primeiro turno de 2022 e criticar a candidatura de Ciro Gomes.
Ele é filho do ex-prefeito José Queiroz, figura tradicional em Caruaru, que deve disputar novamente a prefeitura da cidade com apoio do partido.
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