Flávio Bolsonaro, o “elevado”, não quer ser “puxado para baixo”
Esses caras pedem nosso voto, prometem resolver os nossos problemas, ganham salários e benefícios enormes e entregam, via de regra, muito pouco ou quase nada
Segundo Flávio Bolsonaro, Flavinho Wonka para os íntimos, em alusão ao personagem Willy Wonka, do filme A Fantástica Fábrica de Chocolates – afinal, foi um feliz proprietário de uma loja de chocolates que vendia panetones como ninguém, inclusive fora de época e em dinheiro vivo -, foi flagrado, em bilhete escrito à mão, afirmando que um eventual palanque ao lado de Mateus Simões (PSD), vice-governador de Minas e pré-candidato à reeleição, o “puxa para baixo”.
Bem, em que pesem as pesquisas de opinião darem números modestos ao pessedista – ainda não levando em conta que será o governador em exercício, que terá um dos maiores tempos de rádio e TV durante o horário eleitoral e que vem recebendo apoios explícitos de políticos altamente populares como Nikolas Ferreira (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) – o ex-deputado das rachadinhas afirmar que o vice-governador do segundo maior colégio eleitoral o “puxa para baixo” só não surpreende pelo autor da frase.
Fosse eu Mateus Simões e talvez concordasse em gênero, número e grau. Afinal, se depender da régua da família Bolsonaro, onde um filho trata o pai como “ingrato do caralho” e o manda “TNC”; onde irmãos se ofendem e se digladiam e onde enteados tratam a madrasta como inimiga, chega a ser elogiosa tal afirmação.
Alhos e bugalhos
Mateus e Flávio de fato navegam em órbitas separadas. A depender do critério, acima ou abaixo. Flávio tem amigos como o carequinha Queiroz e o miliciano capitão Magalhães. Flávio compra imóveis – e até mansões luxuosas – em dinheiro vivo. Flávio se socorre das canetas de Dias Toffoli e Gilmar Mendes para escapar das investigações do MP do Rio. Ou seja, se tudo isso é “elevado” para Flávio Bolsonaro, faz mesmo sentido acreditar que o vice-governador de Minas o rebaixa.
Atenção: o que acabei de escrever sobre Flávio Bolsonaro não é inédito nem novo. Uma breve pesquisa no Google mostrará que assim eu penso há pelo menos cinco ou seis anos. Portanto, o texto não é “em defesa” de Mateus Simões, mas em reprimenda ao bolsokid que se imagina superior. Lembrando sempre que, para mim, político tem de ser vigiado, cobrado e criticado de manhã, de tarde e de noite, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 dias por mês.
Esses caras pedem nosso voto, prometem resolver os nossos problemas, ganham salários e benefícios enormes e entregam, via de regra, muito pouco ou quase nada. Por mim, que se acusem e se ofendam, e até troquem algumas cadeiradas (brincadeira, claro), pois “chumbo trocado não dói”. Mas que o façam com um mínimo de coerência. Desse jeito, Flávio, o “altíssimo”, acabará concorrendo com Lula, a “alma mais honesta desse país”.
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Comentários (5)
Sandra
01.03.2026 16:33O artigo foi ótimo, mas é bom estimular esse tipo de gente a dizer o que pensam, nem vão notar o quanto estão caindo e a gente se livra deles mais rápido
Fernando Roberto Benitez Nobrega
27.02.2026 05:50Agora, gostaria que esse jornalista fizesse um texto similar sobre a folha corrida do Lula, José Dirceu, Gleise e Lindinho. Ele não comentou que André Ceciliano, então presidente da ALERJ e presidente estadual do PT tinha muito mais rachadinha. Nosso mundo político precisa mudar e jornalistas precisam parar de se dizerem neutros e serem altamente parciais.
Emerson
26.02.2026 15:39Agora imagina se juntar ele com o "lulinha" ? Que Nvidia nada !!!
Marcos
26.02.2026 12:15UM "PELÉ" DOS NEGÓCIOS.
Penso igualzinho ao autor deste ótimo artigo!