Eduardo no mundo do Lula
Tudo sempre pode mudar de uma hora para outra com Trump, mas não faz sentido menosprezar uma reunião entre dois presidentes após o tarifaço
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foto) tenta segurar no braço a narrativa de que Donald Trump está enrolando Lula após os dois presidentes se reunirem na Malásia.
“Precisamos aprender a diferenciar narrativa de realidade, jornalismo de assessoria“, disse o filho de Jair Bolsonaro ao classificar a foto de Trump com o petista como “símbolo da sua derrota e pequenez“. No caso, a derrota e pequenez seria de Lula.
O mesmo Eduardo dizia, em setembro, que “o recado dado hoje é claro: o único caminho sustentável para o Brasil é uma anistia ampla, geral e irrestrita, que ponha fim ao impasse político e permita a restauração da normalidade democrática e institucional”.
O recado
Pouco mais de um mês depois, o recado é outro: Bolsonaro só foi mencionado no encontro entre Trump e Lula porque uma repórter brasileira questionou ambos sobre o ex-presidente.
Aliás, Bolsonaro só foi mencionado por Trump após a carta de anúncio do tarifaço, publicada em julho, quando questionado diretamente por repórteres brasileiros.
Afirmar, hoje, que a situação não mudou desde julho porque a tarifa adicional não foi retirada ou porque os vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) seguem revogados não faz sentido.
Mudou o clima
Até a Assembleia Geral da ONU, quando Trump falou pela primeira vez sobre a tal “química” com Lula, ainda era possível para os aliados de Bolsonaro sustentarem o discurso de que qualquer solução para o tarifaço teria de passar por eles. Mas o clima claramente mudou.
Dizer que “toda reunião [sobre o tarifaço] é a preparação para a próxima reunião” é abusar da inteligência dos apoiadores, pois ignora que esse é o caminho da diplomacia há séculos.
Não quer dizer que tudo não possa mudar de uma hora para a outra, e é nisso que os bolsonaristas parecem apostar. Mas, enquanto eles desafiam os fatos com a própria narrativa confiante, o valor eleitoral de Bolsonaro vai diminuindo.
Perda de força
Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, ainda aponta o ex-presidente como “o grande eleitor de 2026” (candidato ele não é), mas a última pesquisa do instituto indicou queda de quatro pontos desde agosto nas intenções de voto para Bolsonaro (de 35,2% para 31%).
O instituto tem aferido as intenções de voto para o ex-presidente apesar de ele estar inelegível até 2030 — e de ainda nem ter começado a cumprir a pena de 27 anos de prisão, punição que vai estender ainda mais seu período de inelegibilidade.
A queda de apoio a uma candidatura de Bolsonaro já tinha sido apontada por pesquisa Genial/Quaest divulgada em setembro. Essa informação contrasta com um levantamento publicado nesta semana pela empresa de empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus.
A intransigência de Eduardo tem lhe rendido ao menos atenção. O deputado federal que se auto-exilou nos Estados Unidos para tentar evitar a prisão do pai e acabou a precipitando, ganhou de Lula em presença digital em três redes sociais no período de janeiro a julho.
Ainda é preciso saber como a mudança nos rumos das relações entre o governo Trump e o governo Lula vai impactar na imagem de Eduardo entre seus apoiadores, mas é difícil imaginar que o deputado sairá ileso ao insistir em demonstrar tanta confiança num cenário tão desfavorável.
Leia mais: Aproximação entre Lula e Trump esfria articulação por anistia a Bolsonaro
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Comentários (2)
Fabio B
29.10.2025 15:26Camisa 10 do Lula!
Eliane ☆
28.10.2025 15:33Dudu Fujão, um lunático, cabo eleitoral do Lula.