Descomando vermelho
Enquanto os cariocas tentam se proteger em casa da violência das facções criminosas, Lula se encastela nos palácios de Brasília com medo de perder popularidade
O país se vê diante de mais um momento que pode ser capital no enfrentamento às organizações criminosas que competem com o Estado brasileiro por território, mas o presidente, o homem eleito para liderar a nação, passou os últimos dias escondido.
E Lula (foto) não se encastelou nos palácios de Brasilia por medo da violência física, que acomete os cariocas expostos à dominação do Comando Vermelho. O receio do petista é de perder popularidade, a mesma razão pela qual ele largou o governo no começo deste ano.
Primeiro, Lula ofereceu o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, aos leões.
No dia seguinte à Operação Contenção, que prendeu 113 pessoas, apreendeu 91 fuzis e resultou na morte de 117 suspeitos, a cúpula do Palácio do Planalto — entre eles o marqueteiro da Secom, Sidônio Palmeira — se reuniu para decidir sobre como reagir à ação contra a expansão da facção criminosa.
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Desorientados
Lewandowski saiu da reunião desorientado e se limitou a dizer aos jornalistas que esperavam por respostas do lado de fora do Palácio da Alvorada que ia ao Rio de Janeiro para ver “como podemos apoiar”, mencionado que Lula ficou “estarrecido” e “surpreso” com a operação.
Além de tudo, o ministro se enrolou com o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao ser confrontado com a alegação do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), de que o governo federal não apoia as ações de combate às facções criminosas no estado.
Naquela mesma quarta, Lula participou da cerimônia de posse de Guilherme Boulos como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, durante a qual o presidente não apenas ficou calado, como calou durante o constrangedor minuto de silêncio pedido por Boulos “por todas as vítimas dessa operação no Rio de Janeiro” — o gesto foi considerado “inapropriado” por 59,8% dos cariocas.
Governadores de direita
Enquanto os lulistas tentavam se defender, os governadores de direita, que estão de olho na cadeira de Lula, ofereciam, sem condicionantes ou poréns, seu apoio público à ação policial do Rio.
Castro, Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União), de Goiás, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, Eduardo Riedel, (PP), do Mato Grosso do Sul, Mauro Mendes (União), do Mato Grosso, e Celina Leão (PP), vice-governadora do Distrito Federal, decidiram criar um “consórcio da paz“ contra o crime organizado.
Recluso, para não correr o risco de voltar a dizer coisas como “traficantes são vítimas dos usuários também”, Lula ironicamente foi impelido a sancionar um projeto de lei apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR), responsável pelas condenações que o levariam para a cadeia por corrupção na Operação Lava Jato.
Reação calculada
A nova lei amplia a proteção de agentes públicos ou processuais envolvidos no combate ao crime organizado e endurece o combate às facções criminosas.
O presidente também se apressou a encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei antifacção, para “mostrar como é que se enfrenta as facções aqui nesse país, como é que se enfrenta o crime organizado, como é que se enfrenta aqueles que vivem na exploração do povo mais humilde desse país”.
A mensagem foi transmitida em vídeo gravado e publicado em suas redes sociais, no mesmo molde do primeiro comentário feito pelo petista sobre a Operação Contenção, divulgado em forma de texto no X muitas horas após a deflagração da operação.
Soberania?
As reações formais do governo foram acompanhadas por reações retóricas dos governistas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apareceu para dizer que facção criminosa se combate sem disparar tiros, enquanto Boulos e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, entre outros, acusaram os governadores de direita de querer entregar o Brasil a Donald Trump, numa reciclagem do discurso sobre soberania nacional sacado contra o tarifaço americano.
Os lulistas celebram, por enquanto, que a popularidade de Lula não tenha sido abalada pelos eventos da semana que passou. Pelo menos alguém tem algo a celebrar no Brasil tomado pelas facções.
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Comentários (1)
Carlos Renato Cardoso Da Costa
03.11.2025 10:12É impossível fazer quem considera bandido um injustiçado e oprimido tomar ação contra esse mesmo injustiçado