Crusoé: O que vai sobrar do Novo depois de Zema
Afastar-se do bolsonarismo seria abdicar da força que garantiu a sobrevivência do partido até agora
As críticas do pré-candidato a presidente Romeu Zema (foto) ao senador Flávio Bolsonaro, por suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, trazem um desafio existencial para o Novo.
Foi Zema quem, depois de ser eleito governador de Minas Gerais em 2018, aproximou o Novo do bolsonarismo.
Esse movimento gerou atritos com os fundadores do partido, como João Amoêdo, mas ajudou a dar uma sobrevida ao partido.
Agora, com o próprio Zema dinamitando as pontes com o bolsonarismo, o partido vai precisar se desdobrar para achar um novo rumo.
Se não conseguir fazer isso, sua viabilidade pode ser ameaçada.
“Este sujeito [Zema] está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal“, afirmou Carlos Bolsonaro no X na segunda, 25.
Renovação da política
O Novo foi criado em 2011 com valores liberais e a promessa de renovar os velhos quadros da política.
Em 2018, o partido teve o seu primeiro teste de estresse.
Zema, eleito governador, apoiou Bolsonaro na reta final da campanha. O partido, sob o comando de Amoêdo, anunciou que se manteria neutro no segundo turno, apesar de se dizer contra o PT.
Para os mais antigos do Novo, Bolsonaro era um populista que representava a velha política e tinha um liberalismo só de fachada.
Nas eleições de 2022, Zema ficuo ainda mais à vontade para apoiar Bolsonaro contra Lula.
Em novembro daquele ano, Amoêdo declarou voto em Lula, foi suspenso e se desfiliou do partido que fundou.
O partido, a partir desse momento, ficou mais aberto para aceitar políticos alinhados ao bolsonarismo.
O Novo se tornou uma espécie de “bolsonarismo premium“, com políticos mais refinados e menos truculentos.
Linha auxiliar da família
Quando Zema disse que as mensagens entre Flávio e Vorcaro eram um “tapa na cara“, Amoêdo foi um dos primeiros a se manifestar nas redes.
“Depois de oito anos sendo submisso ao bolsonarismo e colocando o Novo como linha auxiliar da família, Romeu Zema descobriu hoje que eles não são confiáveis. A pergunta que fica: era ignorância ou, novamente, oportunismo eleitoral?“…
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