Carta de Jair prova que Michelle não é Bolsonaro
Os filhos nunca a aceitaram como uma verdadeira Bolsonaro. O pai só fez deixar isso ainda mais claro. Para ela
A mim não me surpreende a carta de apoio de Jair Bolsonaro, o patriarca do clã das rachadinhas e dos imóveis milionários comprados, em parte, com dinheiro vivo, ao pimpolho número 1, Flavinho Rachamaster Tarantino Wonka, claramente em contraponto à sua esposa e atual cuidadora, Michelle Bolsonaro, pejorativamente apelidada de Micheque por causa dos cheques do carequinha Fabrício Queiroz, amigão de décadas do Bolso-pai e operador de confiança do Bolso-filho, depositados em sua conta corrente.
A um porque, para quem consegue observar e pensar com mais de dois neurônios, Jair é e apenas será Jair Futebol Clube. Nem mesmo um de seus filhos tem ou terá mais importância para o “mito” do que ele próprio. A troca de ofensas entre pai e filho (Dudu Bananinha), que veio a público no ano passado, foi um exemplo crasso. Bolsonaro, hoje, só tolera e apoia Flávio porque não lhe restou outra opção que lhe dê alguma esperança de ainda poder caminhar como um homem livre. Do contrário, o bolsokid 01 teria o mesmo destino de Jair Renan.
A dois porque, para quem já se casou e se separou tantas vezes, imaginar que agora, por obra e graça do destino, da velhice e do estado de saúde, iria se transformar naquele marido do juramento – na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza – seria muita ingenuidade ou fanatismo. E não. Não acho que casamento tenha de ser para sempre. Se não está bom, que termine. Mas uma, duas, três, quatro vezes? Aí, não, né? Aí é sinônimo de tudo, menos de equilíbrio e da busca por um pé para encostar antes de dormir.
E, a três, para finalizar, os Bolsonaros carregam a natureza do escorpião (da fábula com o sapo). Um não vive sem o outro, mas um não pensa duas vezes antes de largar – ou “rifar” – o outro. O que Jair fez, publicando seu apoio ao filho, foi por puro instinto de sobrevivência. Se Michelle vai afundar e levá-lo junto não entrou em seu cálculo. E, se isso acontecer, os filhos irão vibrar, mesmo que o pai pague um preço ainda maior. Afinal, eles nunca a aceitaram como uma verdadeira Bolsonaro. O pai só fez deixar isso mais claro. Para ela.
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Comentários (1)
Muito bom, Ricardo! Com bom humor resumiu a família “muito unida”, e me fará lembrar sempre do bordão “Deus, Pátria e FamiliaS”. Tenho impressão sempre que os evangélicos não ligam uma coisa com outra.