Caiado encabrestado na avenida Paulista
Estaria o governador de Goiás abrindo mão de sua pré-candidatura neste domingo, 6, em favor do sonho de ver Bolsonaro candidato?
Ronaldo Caiado (União, à direita na foto) lançou sua pré-candidatura à presidência da República se dizendo “desencabrestado”. Disse também que não é “candidato de colete, nem candidato de barra de saia de ninguém”. Foram recados para quem prefere que toda a direita brasileira trabalhe pela reabilitação política de Jair Bolsonaro (à esquerda na foto), inelegível até 2030.
Dois dias depois, contudo, o discurso de independência perdeu força diante da decisão do governador de Goiás de participar da manifestação convocada pela anistia aos condenados pelos ato de 8 de janeiro de 2023, na avenida Paulista.
“Fui um dos primeiros a defender a anistia e a pacificação do país, em fevereiro do ano passado. O Brasil precisa virar essa página e focar no que realmente importa para o nosso povo: segurança pública, combate à inflação, saúde de qualidade e educação eficiente”, justificou-se Caiado.
Anistia para quem?
O Supremo Tribunal Federal (STF) de fato pesou a mão nas condenações aos vândalos — e muitos dos condenados pelo 8 de janeiro nem sequer mereciam essa alcunha, tal foi a rigidez do tribunal. Mas é impossível ignorar que as manifestações convocadas por Bolsonaro têm por trás a intenção de conseguir uma anistia para o ex-presidente.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, deixou isso claro em seu discurso na Paulista. “Disseram que a direita não estava unida. Hoje, o recado que nós demos para todo o Brasil: a direita está mais unida do que nunca. O presidente Bolsonaro reúne neste palco seis governadores e o governador do Rio de Janeiro, que está lá com uma catástrofe natural, não pôde estar [aqui]. Sabe para dizer o quê? 2026, Bolsonaro de volta”, discursou.
Foi para isso que Caiado e o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), que também alimenta o sonho presidencial, foram para a avenida Paulista? Estaria o governador de Goiás abrindo mão de sua pré-candidatura presidencial neste domingo, 6, em favor do sonho de ver Bolsonaro candidato?
Prioridades
Ao discursar no lançamento de sua pré-candidatura, Caiado não mencionou a anistia, ao contrário do que fez o senador Sergio Moro (União-PR) ao falar em favor da pretensão eleitoral do colega de partido. O governador não o fez porque essa não é uma questão de apelo nacional, como a inflação e a segurança pública.
É o que mostram as pesquisas de opinião sobre o assunto, e também o que indicou o vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em defesa da anistia. Enquanto sua gravação sobre o monitoramento do Pix ultrapassou 300 milhões de visualizações, extrapolando sua base corriqueira, o da anistia não superou 60 milhões em três dias.
Diante disso, a independência que Caiado demonstrou na sexta-feira, 4, ao se recusar a esperar por uma candidatura incerta de Bolsonaro, sofreu um arranhão considerável neste domingo.
Leia mais: Manifestação bolsonarista e maioria dos brasileiros têm prioridades distintas
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
06.04.2025 16:19Agora não entendi mais nada, Ou sou muito ingênua. Eles querem mostrar a direita unida, tudo bem, mas querer Bozo de volta acho demais da conta.