Balanço da Fórmula 1 2025
Confira a análise de como foi o desempenho de cada uma das 10 equipes e seus 20 pilotos na temporada 2025 da Fórmula 1
A temporada 2025 da Fórmula 1 foi uma temporada muito disputada. A diferença de tempos entre os 20 carros do grid era pequena, resultado de 4 anos de estabilidade do regulamento técnico, deixando as disputas, sobretudo das classificações, bem interessantes.
O campeonato, que começou com a dupla da McLaren sobrando, acabou com a equipe e seu piloto sendo campeões, mas muito apertados por um ressurgente Max Verstappen. Vamos agora analisar cada uma das esquipes e seus respectivos pilotos individualmente.
McLaren: A equipe tinha o melhor carro da temporada, mas nem sempre acertava nas estratégias e seus pilotos mostraram uma inconstância que não ajudou na disputa. Ainda assim, graças a superioridade do carro, mereceram o título de construtores.
- Lando Norris não foi o melhor piloto do grid nesse ano. Nem o segundo melhor, ainda assim mereceu seu título, pois soube aproveitar a superioridade do seu carro e, depois de ficar devendo em várias corridas, tendo sido superado por Piastri e depois Verstappen, conseguiu reencontrar o prumo e levar o campeonato.
- Oscar Piastri ainda paga por sua menor experiência, mas a forma com que seu desempenho caiu após a volta das férias de meio de ano não se justifica. Literalmente: ele não sabia dizer a razão. Para ser campeão, é bom que ele entenda direitinho suas fragilidades e trabalhe bem mais rápido para corrigi-las.
Mercedes: Continuou sofrendo com o fato de não ter se encontrado nesse regulamento. Seu carro teve desempenho inconstante, se adaptando melhor em condições de pista mais frias, mas algo muito pontual, longe de disputar vitórias de forma recorrente, tanto que só ganhou duas corridas.
- George Russell foi o líder da equipe. Cometeu pouquíssimos erros, arrancou 2 vitórias e extraiu o máximo do carro inconstante que recebeu. Foi um dos destaques do ano, à frente de seu conterrâneo Norris.
- Kimi Antonelli estreou sob pesadas expectativas, o que raramente dá certo. Ele teve um ano de aprendizados, vários erros e alguns lampejos de puro talento que ensejam que ele poderá, mesmo, se tornar um piloto com potencial para disputar títulos, mas ainda falta tempo.
Red Bull: Não tinha o melhor carro, mas o melhor piloto, Max Verstappen, que se adapta muito bem às incongruências e temperamentalidades do chassis, para azar de todos os pilotos que o ladeiam que acabam tostados. Mesmo com praticamente só um piloto pontuando bem, superaram a Ferrari no campeonato de construtores da Fórmula 1.
- Max Verstappen foi claramente o melhor piloto do grid, o mais completo, que menos errou e que mais tirou leite de pedra, tanto que disputou o título até a última etapa e foi vice, à frente de Piastri que estava no melhor carro.
- Liam Lawson sentou na cadeira elétrica que é o carro da equipe e foi enxotado para a Racing Point após apenas duas corridas após sempre largar e chegar nas últimas posições. Sorte dele, acredite.
- Yuki Tsunoda assumiu o lugar ao lado de Verstappen e a partir daí ele que foi o premiado pela desgraça que é pilotar aquele carro. Tirando em uma ou outra corrida que esboçou reação, foi completamente ofuscado pelo holandês e terminou o ano sabendo que não estará no grid ano que vem.
Ferrari: A equipe italiana começou o ano com um carro novo, e não uma mera evolução do anterior, como suas rivais. Isso num ano em que logo teriam que parar de investir no chassis para focar no carro do ano seguinte, completamente novo pela mudança de regulamento. Resultado: um carro crú, deficiente e que não foi melhorado como poderia, prejudicando seus pilotos.
- Charles Leclerc foi outro destaque positivo desse ano, sempre dando e conseguindo o melhor do seu carro, sem se deixar abater pelos maus resultados, embora tenha reclamando publicamente e, dizem, ameaçado procurar novos ares se ano que vem o carro não melhorar. Foi o piloto líder da equipe.
- Lewis Hamilton segue seu ocaso desde que o regulamento de 2022 estreou e com o qual não se adaptou. Mas para um piloto do seu quilate mais essa temporada abaixo da média é muito ruim, sobretudo depois de declarações extremamente desanimadoras. Foi o primeiro piloto da Ferrari sem um pódio no seu ano de estreia desde 1981. 2026 chega com clima de ou vai, ou racha.
Williams: A equipe inglesa foi a quinta força esse ano, garantindo importantes milhões a mais em seu orçamento. Grande parte disso se deve a boa dupla de pilotos que dispõe e ao carro que se não era o melhor em nada, não era o pior também, tanto que conseguiu 3 pódios.
- Alexander Albon começou o ano muito bem, marcando muitos pontos ao se aproveitar da superioridade do seu carro diante do pelotão intermediário que ainda tentava se achar. Na segunda metade do ano, entretanto, deu uma submergida diante de Sainz.
- Carlos Sainz, saído da Ferrari, demorou para se entender com o carro e o motor da equipe e teve um começo de ano fraco. Mas depois que entendeu a embocadura do FW47, enfileirou os 3 pódios da equipe e terminou o ano em alta e bastante feliz.
Racing Bulls fez um carro bastante equilibrado, talvez até mais do que o da Williams, mas sua dupla de pilotos não tinha o mesmo nível de experiência e com isso os resultados foram mais oscilantes que o ideal, mas esse é o papel da equipe: desenvolver pilotos novos.
- Isack Hadjar foi, a meu ver, o estreante do ano. Conseguiu pódio com esse carro não é fácil. Mostrou grande velocidade e, apesar dos erros do noviciado, mostrou grande potencial, tanto que a Red Bull o chamou para ser titular, o que tem sido uma cilada, mas com a mudança de regulamento, talvez não seja.
- Yuki Tsunoda, iniciando seu quinto ano pela equipe, começou bem nas duas primeiras etapas do ano pela equipe, tanto que foi para a irmã maior e lá a coisa desandou, como falamos acima.
Liam Lawson a partir da terceira etapa.
Aston Martin: Seguiu seu calvário de não conseguir criar um carro bom sem saber ao certo exatamente por quê. Tentaram mudar várias atualizações ao longo do ano, sem sucesso e se falou de descorrelação do simulador. Com isso terminaram o ano abaixo de 2024. Pelo menos isso lhes dará mais tempo de desenvolvimento aerodinâmico que seus concorrentes acima da tabela.
- Fernando Alonso, outro que tirou leite de pedra e não esconde a ansiedade pelo carro do próximo ano, projetado por Adrian Newey. Foi, como sempre, o maior pontuador da equipe, apesar dos abandonos no começo do ano. O veterano de 44 anos segue afiado.
- Lance Stroll começou o ano pontuando bem, mas depois a realidade voltou a se impor e ele foi ficando para trás, tanto nas classificações como nas corridas. Muitos se perguntam por que ele segue correndo quando não parece ser feliz nessa função. O canadense é o piloto com mais eliminações no Q1 desde a implementação desse modelo de classificação na categoria.
Haas: Teve um ano menos exuberante que o visto em 2024, com seu carro apresentando rendimento muito irregular ao longo do ano e às vezes até ao longo de um mesmo fim de semana. Ano que vem terão uma parceria ainda mais estreita com a Toyota.
- Esteban Ocon chegou como o piloto líder, por sua reconhecida velocidade e experiência, mas apesar de não ter ido mal, foi eclipsado pelo novato ao seu lado.
- Oliver Bearman foi outro destaque do ano, dentre os novatos (em que pese ele ter corrido duas corridas em 2024), mostrou grande velocidade e capacidade de aprender, a Ferrari, com quem tem contrato, está de olho.
Sauber: Começou o ano como o pior carro, mas logo isso foi revertido, conforme novos pacotes aerodinâmicos foram sendo implementados com sucesso, ajudando sua dupla de pilotos a pontuar e até a beliscar um pódio. Depois de 33 anos a Fórmula 1 se despede do nome Sauber, que ano que vem se chamará Audi.
- Nico Hülkenberg cumpriu o que se esperava dele, no sentido de guiar a evolução da equipe, ser a referência para seu companheiro novato. O pódio em Silverstone, seu primeiro desde a longinqua estreia em 2010, foi seu ponto alto.
- Gabriel Bortoleto começou o ano pegando a mão do carro, teve uma grande melhora a partir do meio do ano, pontuando várias vezes, mas terminou 2025 com mais batidas do que o esperado, mesmo para um novato. Não é um problema intransponível, mas é um fator de pressão para 2026. Seu ponto alto foi superar Nico na somatória das classificações, sendo justamente esse o ponto forte do alemão, mostrando enorme velocidade.
Alpine: começou o ano como a segunda pior equipe, mas logo assumiu essa nada nobre posição. Com Briatore no comando, trocou de piloto após a sexta etapa e, supremo dos pecados, abandona os motores Renault, ainda dona da equipe, para o ano que vem, no que muitos veem como uma grande confissão pública de fracasso técnico. Como última colocada, o pior resultado de uma equipe da Renault na Fórmula 1, pelo menos terá mais tempo para desenvolver seu carro 2026 nos simuladores e túneis de vento.
- Pierre Gasly teve corridas boas, dentro da realidade muito limitada da equipe, pontuando em 7 ocasiões, um verdadeiro feito. Ainda conseguiu segurar a língua e não falar mal do carro em nenhuma ocasião, algo notável.
- Jack Doohan pilotou nas seis primeiras etapas e embora não tenha sido um desastre, teve um desempenho suficientemente apagado para justificar sua dispensa em prol do mais endinheirado concorrente argentino.
- Franco Colapinto assumiu a partir da sétima etapa e também não teve um desempenho estelar, até pela pouca experiência e limitações do equipamento, mas mostrou momentos de velocidade, lembrando o que vimos em 2024 quando correu pela Williams no lugar de Sargeant.
E que venham os lançamentos e testes dos novos carros da Fórmula 1 2026, logo agora em janeiro, onde tudo será novo por mudarem os regulamentos técnicos dos chassis e motores, e também teremos a volta das transmissões das corridas na TV Globo.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)