Anistia ampla e irrestrita é utopia bolsonarista (ainda)
Sinais são claros que anistia não sairá da forma como a bancada bolsonarista pretendia, mas os deputados vão aceitar?
Apesar da Câmara dos Deputados ter aprovado, na noite desta quarta-feira, a urgência do Projeto de Lei da Anistia por 311 votos, isso não significa necessariamente que hoje 311 parlamentares sejam a favor de uma proposta que garanta imunidade ampla e irrestrita tanto a Jair Bolsonaro quanto aos réus dos atos de 8 de janeiro.
É preciso separar, neste momento, o joio do trigo. Uma coisa é a urgência, outra – bem diferente – a possibilidade de aprovação de um texto que garanta anistia ampla e irrestrita a Bolsonaro, seus aliados e aos réus do 8 de janeiro.
Os sinais são muito claros. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nunca foi o maior entusiasta do texto. Por isso, colocou em pauta a urgência do Projeto de Lei do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que concede anistia ampla e irrestrita. Mas não cita ou ex-presidente da República. Consultores legislativos consultados por O Antagonista apontam que, se fosse aprovado esse texto, Jair Bolsonaro – em teoria – ficaria de fora do benefício.
Nesta quinta-feira, Motta indicou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) para relatar a proposta. Para quem não lembra, Paulinho surgiu no movimento sindical, montou um partido para se contrapor à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e somente está exercendo mandato porque o titular do cargo, Marcelo Lima (PSB-SP), foi cassado por infidelidade partidária.
Em 2021, Paulinho chegou a defender o impeachment de Jair Bolsonaro em entrevista à CNN Brasil. “O presidente Bolsonaro, a cada dia que passa, nos parece um pouco mais endoidado e mais maluco”, declarou na ocasião.
Obviamente, que Paulinho pretende construir um texto consensual. E esse consenso virá, na visão dele, após conversas com Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com integrantes da base e oposição. “Vou tentar agradar a gregos e troianos”, disse ele em entrevista para a Globo News.
A missão é árdua. Agora, o grande entrave para essa anistia mais consensual residirá na bancada bolsonarista na Câmara. Eles querem a anistia ampla e irrestrita. Assim, o maior desafio de Paulinho da Força não será achar um texto consensual, mas convencer os bolsonaristas a engolirem um texto possível de ser aprovado.
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Comentários (1)
Fabio B
19.09.2025 09:17Os doidinhos que seguem presos até hoje são vistos como descartáveis, usados apenas como escudo humano. Quando a escolha é entre a quase certeza de uma anistia restrita só para eles — mas sem alcançar o mito — e a chance mínima, de apenas 1%, de conseguir anistia para todo mundo, incluindo o mito, eles preferem arriscar nessa aposta improvável.