Relator da anistia chamou Bolsonaro de maluco e defendeu impeachment
Paulinho da Força foi escolhido pela boa interlocução com ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes
O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do Projeto de Lei da Anistia, chegou a chamar o ex-presidente Jair Bolsonaro de maluco e defendeu o impeachment do ex-mandatário durante o ano de 2021.
Em entrevista à CNN Brasil, Paulinho declarou que a sigla iria apoiar o impeachment de Bolsonaro. A fala ocorreu após os atos de 7 de setembro daquele ano. A manifestação foi vista pelo ministro do STF Alexandre de Moraes como um dos primeiros marcos na ação penal da trama golpista.
“O presidente Bolsonaro, a cada dia que passa, nos parece um pouco mais endoidado e mais maluco”, disse ele à CNN Brasil. “É como se fosse um gato preso em um quarto e aí começa a esculhambar todo mundo… A atacar as entidades, a atacar as instituições e as pessoas”, disse Paulinho sobre o ex-presidente.
Na entrevista, o parlamentar chegou a chamar o ex-presidente de “pessoa bem desequilibrada”.
Como mostramos mais cedo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), confirmou nesta quinta-feira, 18, o deputado federal Paulinho da Força como relator do projeto da anistia.
A mensagem foi publicada na rede social X, antigo Twitter.
“Tenho certeza que ele conduzirá as discussões do tema com o equilíbrio necessário”, disse Motta.
Apesar da indicação, o PL, no entanto, vê com reservas a indicação de Paulinho da Força.
A escolha do parlamentar, em um primeiro momento, leva em consideração dois fatores. Primeiro: ele é de um partido de Centro que, apesar de ter nascido do movimento sindical, começa a se aproximar de siglas de Direita como o União Brasil e o PP.
Segundo: Paulinho tem uma boa interlocução com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). E isso, na avaliação do Centrão, poderia facilitar na construção de um texto que fosse acatado pelos ministros.
Um acordão com o Supremo e com tudo pela anistia?
Nesta quarta-feira à noite, a Folha de S. Paulo informou que há um acordo em curso entre Congresso e STF. Pelo acordo, o STF aceitaria a redução de penas dos réus, a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, mas sem a anistia ampla e irrestrita ao ex-prssidente.
O STF negou publicamente o acordo.
Durante sua fala no plenário, após a aprovação da urgência do PL da Anistia, Motta defendeu a “pacificação” no país e afirmou que um relator será nomeado para a definição de um texto final que reúna amplo apoio entre os parlamentares.
Com a aprovação em regime de urgência, a proposta poderá ser votada diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas. Foram 311 votos a favor e 163 contrários, além de sete abstenções.
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