Amazon “destruiria” Trump se fosse verdadeira com seus clientes
É uma pena que a Amazon prefira alinhar-se ao presidente de turno - que passará - que a seus milhões de fiéis consumidores
Tim Doyle, o porta-voz da Amazon, gigante do comércio eletrônico mundial e responsável por quase metade das vendas digitais dos Estados Unidos, negou que a companhia iria demonstrar, no ato da venda, o valor das tarifas de importação impostas por Donald Trump em sua guerra comercial insana contra o planeta.
Rumores davam conta de que a estratégia da empresa seria se dissociar da ira dos consumidores diante da alta inevitável dos preços. Segundo a CNN, Trump ligou para o dono da Amazon, Jeff Bezos, para reclamar. Antes dele, a polêmica secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, já havia acusado a empresa de “atitude hostil” ao governo.
A verdade é que grande parte dos consumidores americanos ainda não entendeu que serão os próprios os perdedores da guerra tarifária, e não a China ou qualquer outro país como faz crer o presidente dos EUA. Não são os países, mas os importadores os responsáveis pelo recolhimento do novo tributo, que será, claro, repassado aos preços.
Números catastróficos
Recentes pesquisas de opinião questionavam a adesão do americano ao tarifaço de Trump. Enquanto a maioria se mostrava favorável, quando confrontada com o aumento de preços o apoio se invertia. Se o maior varejista eletrônico do país “desenhar” para o consumidor o tamanho da conta, o estrago político será igualmente gigante e, talvez, irremediável.
Pela manhã, as ações da empresa caíam cerca de 1%. No início da tarde, após o desmentido, apenas 0.5%. Donald Trump contou com o apoio declarado das chamadas big techs. Na cerimônia de posse, inclusive, Jeff Bezos estava presente ao lado dos demais big bosses. Todos amargam perdas brutais no valor de mercado de suas empresas.
A aprovação de Trump é a mais baixa dentre todos os presidentes americanos dos últimos 80 anos nos primeiros 100 dias de mandato, segundo pesquisas recentes da CNN, PEW Research e Instituto Ipsos. É uma pena que a Amazon prefira alinhar-se ao presidente de turno – que passará – que a seus milhões de fiéis consumidores.
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