A indigesta cantoria de Barroso e o CEO do iFood
O Judiciário brasileiro precisa não de coreografia brega para Instagram. Precisa de postura. E compostura
Na promíscua República bananeira do Brasil, onde toga se mistura com tábua de frios e o samba serve de trilha sonora para a erosão institucional, o presidente do Supremo Tribunal Federal – para não variar – Luís Roberto Barroso decidiu cantar ao lado do CEO do iFood, Diego Barreto, em um jantar privado, regado a boas intenções públicas e silêncios privados, que deveriam constrangedores.
O evento foi descrito como beneficente – resta saber para quem – com foco no programa de ação afirmativa do CNJ. Nobre. Bonito. Fotogênico. Mas há um problema na bossa nova desafinada de Barroso: o iFood, do generoso anfitrião que lhe estendeu o tapete vermelho, é parte interessada em ações de repercussão geral que tramitam no STF, envolvendo vínculo empregatício entre entregadores e plataformas digitais.
Ou seja, o patrocinador do regabofe é diretamente afetado – e talvez beneficiado – por decisões que passam pela caneta do homenageado. E ambos, ao que parece, dividem mais do que canções. Dividem o endereço da indignação muda de um país onde a elite já nem finge algum traço de constrangimento quando viola o decoro institucional. Em verdade, nem enrubescem as bochechas.
Menos holofotes, mais luz
Enquanto os entregadores de pizza e sandubas da plataforma digital pedalam no asfalto quente por alguns reais, a casta da composição empresariado-Judiciário se refestela em discursos embalados por vinhos caros e acepipes de primeira, onde o ”ganha-ganha” do poder deixa no máximo uma gorjeta de 10%. A convivência fraterna entre um juiz supremo e um réu indireto transforma Justiça em escárnio e o compadrio em regra.
A total falta de constrangimento é como uma espécie de habeas corpus preventivo da República dos Compadres. A confiança da população na imparcialidade da Corte recebe assim mais um duro golpe, e logo teremos ministros de tribunais superiores censurando, processando, condenando, admoestando e ameaçando quem levantar voz contrária. Nas próprias palavras dos togados, outra vez dirão: “somos injustiçados.”
A imagem que esse tipo de evento passa não é de institucionalidade nem muito menos de glamour. É de pura promiscuidade. Causa asco, e não admiração em que toma conhecimento – e pouco importa a suposta motivação humanista, até porque, ninguém acredita na boa vontade dessa turma. O Judiciário brasileiro precisa não de coreografia brega para Instagram. Precisa de postura. E compostura.
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Comentários (10)
Fabio B
27.05.2025 12:32Claudemir Silvestre, em qual cenário isso ocorreria? O STF está tanto fechado com as esquerdas quanto com o Centrão. Eu não acho que o Lula consiga se reeleger, sendo o mais provável algum candidato do Centrão mesmo, tipo o Tarcísio. Você realmente é tão ingênuo em achar que um governo do Centrão criaria caso com o STF?
Claudemir Silvestre
27.05.2025 07:53Essa farra vai acabar logo logo !! Eleições de 2026 vai expurgar muito vagabundo e corrupto do poder !!!
Leticia Jota Piantino Merchioratto
26.05.2025 21:16Que vergonha, que falta de Berço, que Promiscuidade. Pobre Brasil ,Obrigada Ricardo Kertzman pelo ótimo comentário, obrigada Mil...
Leticia Jota Piantino Merchioratto
26.05.2025 21:16Que vergonha, que falta de Berço, que Promiscuidade. Pobre Brasil ,Obrigada Ricardo Kertzman pelo ótimo comentário, obrigada Mil...
Leticia Jota Piantino Merchioratto
26.05.2025 21:16Que vergonha, que falta de Berço, que Promiscuidade. Pobre Brasil ,Obrigada Ricardo Kertzman pelo ótimo comentário, obrigada Mil...
Fabio B
26.05.2025 19:24Adora se imaginar como "o iluminado, "a vanguarda", mas não passa de um provinciano cafona, típico de tiranete de republiqueta de quarto mundo.
Clayton De Souza pontes
26.05.2025 17:33Esse Barroso gosta mesmo é dos holofotes. No passado até gostei dos enfrentamentos entre ele e o Gilmar, mas agora está se revelando seu lado negro e ativista
Maggie J
26.05.2025 17:30Foi-se o tempo em que - um juiz que me contou muitos anos atrás - juízes não podiam nem ter vida social para não haver essa socialização com a população local. E também eram periodicamente mudados de comarca justamente para não criar laços com essa mesma comunidade. Hoje é essa promiscuidade…
Eduardo
26.05.2025 17:29Deslumbrado e sem noção. Não respeita o cargo que ocupa.
Mariana Luisa Garcia Braido
26.05.2025 14:24Lamentável!