A imparável Michelle Bolsonaro
Decisão de criar o próprio movimento indica uma autoconfiança rara na política brasileira atual, especialmente entre os bolsonaristas
Descartada politicamente pelos filhos do marido, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (foto) resolveu lançar seu próprio movimento, o Imparáveis MB.
O anúncio foi feito na quinta-feira, 9, e, no dia seguinte, o perfil de Instagram criado para marcar a transição publicou um trecho do filme Mulher-Maravilha contra os “mentirosos”.
“Michelle não vai parar. Vocês não vão parar. O Brasil não vai parar! Porque quando pessoas de bem se unem, elas se tornam imparáveis”, diz o anúncio oficial do movimento.
Em quase três dias de existência, o perfil do Imparáveis MB se aproxima de cinco mil seguidores. Não é um número expressivo, mas essa não é a melhor métrica para medir a relevância da decisão da ex-primeira-dama de traçar o próprio caminho político — até porque há uma legião de bolsonaristas constrangidos a não segui-la, sob o risco de se indispor com os enteados da madrasta.
Leia mais: Michelle arrombou a caixa de Pandora do bolsonarismo
Mais poderosa
O fato de Michelle ter dispensado os 245 mil seguidores do perfil do PL Mulher, cuja reunião se deve em grande parte a sua atuação como presidente do grupo. indica uma autoconfiança rara na política atual — basta comparar sua atitude com a do enteado Carlos Bolsonaro, que foi em busca de uma eleição em Santa Catarina, onde o bolsonarismo já está consolidado há anos.
A segurança demonstrada por Michelle foi corroborada nesta semana pela pesquisa Meio/Ideia que a indicou como a mulher mais apontada entre as mais poderosas do Brasil.
A ex-primeira-dama tem tamanho, hoje, para andar com as próprias pernas, e, por isso, causa tanto incômodo no bolsonarismo, tão afeito ao comando imposto, e não conquistado.
Ocorre o mesmo com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Disputa interna
A disputa pelo comando do bolsonarismo após a prisão de Bolsonaro resultou numa divisão interna evidente, mas não declarada. Indicado pelo pai para comandar a família, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não foi capaz, até agora, de promover a harmonia, e pode acabar se tornando a principal vítima dessa cisão, porque seu desafio neste ano é bem mais difícil que o de Michelle.
A ex-primeira-dama decidiu manter a pré-candidatura ao Senado, apesar dos rumores de que iria desistir após revelar em vídeo as mágoas com os filhos do marido. Ela lidera as pesquisas de intenção de voto, e, mais do que isso, reina praticamente sozinha no eleitorado das mulheres conservadoras.
Hoje, apesar de Flávio liderar os esforços da família Bolsonaro para voltar ao poder, há mais potência e mais perspectiva em Michelle do que no filho 01 do ex-presidente.
Submissa?
É digna de nota a dificuldade dos políticos de esquerda, especialmente as mulheres, de lidar com o fenômeno Michelle, que nem sequer se encaixa mais no estereótipo de submissa.
A ex-primeira-dama alimenta o discurso de que, apesar de tentarem pará-la, ela vai resistir.
As pesquisas já indicaram que ela se machucou politicamente entre os eleitores do marido, principalmente por que danificou a pré-candidatura presidencial do enteado, já debilitada no eleitorado feminino, especialmente pela herança política do pai.
Mas, apesar de os filhos de Bolsonaro acharem que ela não sabe nada de política, Michelle joga o jogo de uma forma muito mais natural do que qualquer dos enteados.
Do ponto de vista simbólico, ironicamente, hoje, o futuro do bolsonarismo parece mais feminino do que masculino, por mais que a porção masculina seja mais forte e tenha a última palavra formal.
Assine Crusoé e leia mais: Flávio tem a senha; Michelle tem conexão
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Vitor Carlos Marcati
11.07.2026 11:55Seja candidata a presidência contra o rachador e o ladrao e liberte o Brasil dessa escumalha